O Semanário de Trás-os-Montes e por excelência da Região Demarcada do Douro
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MELLO, António Maria Homem da Silveira de Sampaio de Almeida e

Diplomado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra e Oficial do Corpo do Estado Maior, n. a 22.4.1882 e f. a 6.6.1952. Neto do derradeiro Morgado do Rabaçal, seu homónimo, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real (a quem se refere Alexandre Herculano na obra Apontamentos de Viagem), foi senhor da casa de Mêda, actual sede da respectiva Câmara, e detentor de vasto património fundiário nos concelhos de Trancoso, Mêda e Vila Nova de Foz Côa. Em 1899 matriculou se na Universidade de Coimbra, onde cursou concomitantemente as Faculdades de Filosofia e de Matemática, tendo sido aluno, entre outros. dos lentes Pereira da Silva, Santos Viegas. Silva Basto e Sousa Gomes. Distinto nas cadeiras de Física e Desenho frequentou ainda. na Faculdade de Direito, a cadeira de Economia Política, acabando por diplomar se em Junho de 1903. Atraído pelo prestígio da carreira das armas, assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria n.° 7, tendo ascendido à categoria de Oficial do Exército em 1906 mediante carta régia subscrita por D. Carlos I e pelo Ministro da Guerra Cons. Vasconcelos Porto. Oficial "inteligente, aprumado, trabalhador, dotado de excelentes qualidades rnoraes", frequentou o curso do Estado Maior na antiga Escola de Guerra, o qual concluiu com elevadas classificações. Em 1908, aquando da deslocação ao norte do país do rei D. Manuel II, coube lhe a honra de receber pessoalmente o monarca, a par de outros camaradas de farda, subsistindo registo fotográfico de tal efeméride. Data de 1911 0 seu casamento com D. Zamira Teixeira Marinho da Cunha, filha e herdeira de Bernardino José Marinho da Cunha, da casa de Vila Verde (Arnoiu), de quem teve dois filhos, também objecto de resenha no presente Dicionário. Mobilizado para o Ultramar. em missão de soberania, durante a la Guerra Mundial, aí conquistou a Medalha de Prata das Campanhas de Moçambique (1918), após o que ascendeu ao posto de Sub Chefe do Estado Maior da 3ª Divisão do Exército. Em Janeiro de 1919, restaurada no Porto a Monarquia sob o comando de Paiva Couceiro e devidamente constituída a nova Junta Governativa do Reino de Portugal, aderiu à revolta restauracionista, assumindo as funções de Chefe do Estado Maior da mesma divisão. Com o colapso deste movimento foi preso, ficando encarcerado na Casa de Reclusão durante largos meses, e mais tarde demitido das fileiras do Exército. Inteeraram o Conselho de ministros que o destituiu das suas funções vultos célebres da República, a exemplo de Domináos Leite Pereira (Presidente do Ministério). António Granjo, João Soares, Leonardo Coimbra, António Maria Baptista e Amílcar Ramada Curto. Era Chefe do Estado o Alm. Canto e Castro. Contra a pena de demissão de Oficial do Exército interpôs recurso contencioso sob o fundamento de que, nos termos da legislação em vigor, "só em Conselho de Guerra lhe poderiam ser arrancados os respectivos galões", pelo que requeria que o seu processo baixasse à apreciação dos tribunais militares o que todavia lhe foi denegado. Uma vez posto em liberdade entendeu retirar se para o Estrangeiro, por razões de segurança, e de seguida fixou residência nas suas terras do Alto Douro, as quais procurou administrar com esmero e proficiência, quer promovendo o plantio da vinha na respectiva Região Demarcada, quer corrigindo e equilibrando as carências do solo mediante adubações de fundo e de superfície, quer dotando as de infra estruturas técnicas de relevo. Enólogo distinto, tomou parte activa em diversos encontros nacionais da Vinha e do Vinho. Em 1932, na qualidade de filiado da Causa Monárquica, subscreveu a aclamação de D. Duarte Nuno de Bragança após o desaparecimento do rei D. Manuel II em Londres, sem descendência. No ano seguinte apoiou financeiramente a erecção do monumento fúnebre dedicado à memória de D. Carlos 1 e do príncipe real D. Luis Filipe, levada a cabo por uma comissão de honra presidida pelo Cons. João de Azevedo Coutinho. Não mais reintegrado no serviço activo do Exército e na Arma de Cavalaria, conforme sempre pretendeu, destacou se como católico convicto, membro da Conferência de S. Vicente de Paulo e assistente espiritual do Abade de Santo Ildefonso, e como matemático, chegando a intervir em conclaves luso espanhóis para o Progresso das Ciências. Elementos respeitantes à biografia de António Maria Homem da Silveira de Sampaio de Almeida e Mello podem ser compulsados no Arquivo Histórico Militar, no periódico Notícias de Foz Coa (ed. 20.7.1952) e ainda no raro e interessante opúsculo que por ocasião da "Monarquia do Norte" deu à estampa sob o título Em Legítima Defeza (Porto, 1919). Jaz sepultado no Cemitério da Lapa.


In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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