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Transmontanos e Durienses +

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LAGO, Francisco de Assis Pereira do

nasceu em 8.1.1844, em Cabanelas, concelho de Mirandela. Foi governador Civil de Bragança, em 1886 e foi Visconde das Arcas. A folha do Comércio de 11 de junho de 1886, inseriu uma página inteira com a sua biografia. E o Mensageiro de Bragança, de 22 de Março de 2002 reproduziu essa página, integrada na rubrica "Recordar Titulares Bragançanos (XXXI), de Eduardo Proença Mamede. José Silvério de Sá Nogueira do lago era da Casa da Ferradosa e da Castanheira, uma das mais antigas e mais nobres do alto da província. Sua mãe era igualmente nobre e da família antiga e teve muitos filhos. João Silvério de Sá Pereira do Lago era um dos homens mais altamente simpáticos. Fora militar em Chaves (cadete ou oficial) I, naquele tempo em que todo o filho de casa nobre servia sempre e por algum tempo no exército. João Silvério de Sá Pereira do Lago era pessoa serena, inalterável e ao mesmo tempo muito alegre. Por aquelas aldeias em redor, falar do "Dr. João Silvério de Cabanelas" era o mesmo que pronunciar o nome de um santo. Na verdade, o Visconde das Arcas tinha a mesma serenidade de seu pai. Juízo são e inteligência clara. O Visconde das Arcas recebera a melhor das educações, debaixo das vistas da família, que é e será sempre o melhor lapidário para polir e aperfeiçoar este diamante bruto que se chama homem social. Apesar de tudo, a sua ida para Coimbra estava resolvida em 1859, com as malas já feitas para partir, quando, andando à caça com uns primos e outros amigos, nas vésperas do dia designado para a partida, disparou casualmente um tiro em si,
que o feriu gravemente no peito. Daqui o ele ter renunciado aos estudos em Coimbra, sendo, inclusive, os médicos de opinião que ele não poderia casar, o que, felizmente, mais tarde se verificou não ser verdade. Com efeito, em 22 de Julho de 1867, recebia em matrimónio a futura viscondessa, D. Carolina de Almeida Pessanha, filha do par do reino d'Almeida Pessanha, única herdeira de toda a sua fortuna. O casamento fizera se por inclinação. Na verdade, a viscondessa, que na altura tinha 21 anos, afeiçoara se lhe numa visita que fizera a Cabanelas, e ela própria participou a seu paia escolha que fizera, no dia em que voltou às Arcas, na presença do noivo. Tu escolhes e eu aprovo foi a resposta do Par do reino, sem hesitar um instante e sem olhar a despesas, tendo a, por alguns anos, longe de si, nos melhores colégios do Porto e Lisboa. Os noivos eram ainda parentes, pela Ferradosa, em 3° grau, pelo que foi preciso dispensa, fazendo se depois o casamento, muito a contento das duas famílias, e vindo o Visconde a viver para as Arcas, em companhia do sogro, que o amava como um filho. Quatro anos depois, a l l de Janeiro de 1871, morria o Par do reino, ainda no vigor da sua vida. O finado Par do reino era um homem alegre, jovial e muito espirituoso. Entre ele e o Visconde nem uma nuvem, nem o mais leve desaguisado. Era, como todos os Pessanhas do distrito de Bragança, muito dado à política, e todo do partido histórico. Querendo que o seu genro entrasse, também nele, começou este por ser eleito procurador à Junta Geral do Distrito, em 1860, sendo de seguida eleito deputado às cortes, em 1870. Por volta de 1871 aceitou também a presidência da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros. Depois da morte do sogro tomou à responsabilidade o dever de conservar e manter todas as tradições e costumes da casa. O Visconde não esquecerá nunca que aquela casa era a Casa dos Pessanhas e o Solar desta família no distrito de Bragança. Os Pessanhas tinham vindo para aqui há perto de 600 anos, sendo um Francisco Pesssanha Vilhegas, aí pelo ano de 1690, o primeiro que possui a Casa das Arcas, por casamento bem semelhante ao do Visconde. A Casa era de António de Sá Morais e de D. Francisca de Lobão; o Pessanha Vilhegas foi lhe tão grato que obrigou o seu filho, Leandro de Sá Moraes a deixar de usar o apelido do pai, por ser o dos avós maternos, a quem pertencia toda aquela fortuna. O Par do reino, João de Almeida Moraes Pessanha, de Paradela do Douro, assinou se sempre Moraes, e até 1806 houve Pessanhas que se assinavam Lobão, como se pode verificar pelo nome de um coronel daquela família, falecido nesse mesmo ano numa viagem do Brasil para Portugal. A família dos Pessanhas, que fora grata para com os Moraes, também encontrou gratidão, quando se devia extinguir. Com efeito, todos os que casaram com as herdeiras dos Pessanhas fazem assinar os filhos com o apelido das mães, e fá lo ão por muito tempo. Os Pessanhas eram estrangeiros; vieram de Génova (Itália) para este reino, havia 600 anos, chamados por D. Dinis, quando quis estabelecer cruzeiros nas costas do Algarve contra as galés dos Mouros. O primeiro Pessanha que veio para Portugal foi o Almirante Mor, distinto oficial da Marinha, formado na escola do Levante, nas lutas por causa dos Paleologos, em Constan tinopla, ou mesmo nas contendas em Veneza. O que é certo é que o rei Lavrador o mandara vir, quando quis organizar a marinha portuguesa. Os Pessanhas foram sempre grandes lutadores, correspondentes aos partidos dos Rampini, os Grimaldi, os Fieschi, os Mascherati, etc.. Os Pessanhas haviam servido nas conquistas da india, no tempo do vice rei D. Francisco d' Almeida, aparecendo mais tarde também no cerco de Dio. A família dos Pessanhas era representada, em 1886, na política pelo Dr. Eduardo José Coelho, Juiz de Direito de Beja, pelo Visconde das Arcas e pelo Dr. Albino Vaz das Neves, dos Cortiços. Francisco d' Assis Pereira do lago foi nomeado Visconde das Arcas, em 1879, pelo partido progressista e nomeado Governador Civil substituto de Bragança, sendo nomeado efectivo em 1886, quando voltou ao poder o Partido Popular que, para bem do país, não deveria ter saído dos concelhos da Coroa. O Partido Progressista tinha, na altura, no distrito de Bragança um homem dedicadíssimo no Visconde das Arcas; jamais enganou o Governo: nos seus relatórios só referia a verdade nua e crua. A sua autoridade fazia se sentir no distrito de forma paternal, fazendo justiça a todos, servindo os da melhor forma. Como homem, dispunha o Visconde de grande influência legítima. A Casa das Arcas esteve sempre de luto desde que morreu a Viscondessa, em 24 de Agosto de 1881, nos banhos da Foz, mas cujo cadáver o Visconde mandou transportar para Arcas, onde foi sepultada na capela da família. Durante um ano inteiro foi aquela casa o celeiro comum da freguesia e das povoações vizinhas: pão, azeite, batatas e dinheiro, tudo ali iam buscar os pobres, para lhe pagar em serviços, quando pagavam... Durante os meses de carestia, Abril e Maio, fazia se sempre diariamente uma sopa abundante para as crianças da povoação, e alguns anos rnandava a também o Visconde distribuir na vila de Nuzelos, cujo termo lhe pertencia. A casa do Visconde enchia se de crianças que brincavam nas varandas, escadas e pátios, sem que ninguém se sentisse mal. Pode dizer se que o Visconde era, sem dúvida, um dos melhores sustentáculos do Partido Progressista, que era o partido do povo.
"A Folha do Comércio" Domingo, 11 de Julho de 1886


In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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