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Transmontanos e Durienses +

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CARVALHAES, Rodrigo Pizarro de Almeida

nasceu no seu solar de Vilar de Maçada (Alijó) a 30 de Março de 1788 e aí virá a encontrar a morte, solteiro e sem geração, a 8 de Abril de 1841, filho de Francisco Pinto Pimentel de Almeida Carvalhaes, senhor dos morgados de Ribeira de Sabrosa, de Montes Calvos e de Soutelinho de Amésio, e de sua mulher, D. Amónia Maurícia da Nóbrega Cão Pizarro. Como seus pais o destinassem à carreira eclesiástica, deu entrada na Congregação dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista em 1803, contando apenas 15 anos. Aí fez os seus estudos clássicos com distinção, mas alegando falta de vocação e assentimento dos pais seguiu a carreira das armas e em 17 de Março de 1812 assentou praça como voluntário no Regimento de Infantaria 5, em Elvas. Com o posto de alferes tomou parte activa em todos os confrontos da Guerra Peninsular e regressou a Portugal em 1814. Como voluntário também e com o posto de tenente , embarcou na expedição à América comandada pelo seu parente e amigo, o general Francisco Homem de Magalhães Pizarro. Serviu na campanha do Rio da Prata, onde ascendeu ao posto de capitão, em 1818, e ao de major, a 29 de Outubro do ano seguinte. Neste posto receberá a nomeação de ajudante de campo do já então marechal Magalhães Pizarro, encarregado da capitania general do Maranhão, servindo após a morte deste o governador Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, mais tarde nobilitado com o título de Visconde da Várzea. Rodrigo Carvalhaes foi eleito membro do governo provisório da referida capitania, logo que se aprovaram as bases da primeira Constituição. A partir desta data temos um Rodrigo Carvalhaes um constitucionalista ferrenho, como veremos. Regressando a Portugal com Bernardo da Fonseca, em 1822, é promovido a tenentecoronel em Agosto desse mesmo ano. Àfrente do regimento de Infantaria 18 o vemos entrar em Vila Franca de Xira, onde D. João VI se encontrava refugiado desde 30 de Abril de 1823, após a sublevação que D. Miguel havia organizado para repor a velha ordem de coisas e que passou à História como a "Abrilada". Nessa mesma ocasião redigiu a proclamação em que o soberano prometeria cumprir a Constituição de 1822, se alguma vez tivesse jurado esse documento, o que nunca sucedeu. A sua personalidade era tão forte que, quando os ministros da Infanta Regente D. Isabel Maria protelavam o juramento devido àCarta Constitucional, promulgada em 29 de Abril de 1826, Rodrigo Carvalhaes desce do Porto com instruções do general Saldanha e logo se fixou o dia 3 de Julho para esse juramento com todas as solenidades. Como ajudante do marechal Saldanha será nomeado chefe da la Direcção e o acompanhará nas operações militares contra miguelistas do Alentejo e Algarve. No princípio de 1828 vê se obrigado a tomar o rumo do exílio, não sem ter feito parte da malograda expedição do Belfast, que como todos sabem, foi rechaçada da ilha Terceira. Em Inglaterra mostrar se á um dos partidários mais ferrenhos de Saldanha, cujos brios eram disputados por Palmela. Mais tarde, combateu activamente em escritos nos jornais a Regência de D. Pedro, o que implicou a sua demissão do Exército e a proibição de se manter em território nacional enquanto durasse a Guerra Civil. Quando a guerra terminou e devido às condições impostas na Convenção de Évora Monte, Rodrigo Carvalhaes chega a Lisboa a 22 de Junho de 1834, mas o então ministro da justiça ordena a sua prisão, com o fundamento dos manifestos escritos em francês e inglês contra D. Pedro IV. Já na Torre de S. Julião da Barra é lhe instaurado outro processo por ter declarado D. Pedro Príncipe brasileiro e usurpador do trono de
Portugal. A oposição irritou se com este procedimento e Rodrigo Pizarro foi eleito deputado pelo Porto. As cortes discutiram ruidosamente esta nomeação e o deputado eleito não foi admitido. 1835 foi o ano glorioso para o nosso transmontano de hoje. Em 21 de Fevereiro é reintegrado no Exército, e três anos depois promovido a brigadeiro e nomeado governador de Armas de Trás os Montes. Por Decreto assinado por D. Maria II, a 22 de Setembro de 1835, recebe o título de Barão de Ribeira de Sabrosa. Administrador geral de Bragança em Dezembro de 1836, é eleito deputado de Vila Real às Constituintes de 1837, onde acaba fazendo parte da comissão encarregada de elaborar a nova Constituição. Em 1839 é nomeado presidente do Conselho de Ministros, cargo que exerceu até ao escândalo da índia havido com a Inglaterra. Eis, muito em resumo, a biografia de mais um transmontano ilustre.
Eduardo Proença Mamede


In iii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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