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SALSETE, Mártires de

Salsete ou Concolim era uma Ilha perto de Goa. Foi portuguesa e, depois de perdida, voltou a ser conquistada pelos portugueses, ao tempo de D. João de Castro, entre 1547/48. Em 1583, de acordo com o livro "Os Freixenistas pelos mares orientais 15471997)" de Francisco A. Pintado, cinco padres foram martirizados e, desde 1893, foram beatificados. Segundo este autor transmontano um desses padres António Francisco era natural de Freixo de Espada à Cinta. Acerca desta figura humana o Mensageiro de Bragança, de 30 07 1999, publicou um desenvolvido texto assinado por Capitão Vilares que pela sua relação com este assunto, se reproduz integralmente: Num livro Os Freixenistas pelos Mares Orientais (1547 1997) a página 79 escrevemos nós há dois anos: "Procure se nos livros. Sabe se que Salsete depois de ter sido perdida pelos portugueses, foi reconquistada por D. João de Castro em 1547 ou 1548. Esta a ilha demasiado às barbas de Goa para a permitir nas mãos de inimigos". E. porque outra coisa não nos interessava. acrescentavamos: "Mas serve também esse nome para designar os Mártires de Salsete ou Concolim, como também é costume dizer se". Isto passou se em 1583 e foram esses mártires o Padre Rodolfo Acquaviva, intaliano. superior da missão de Salsete, Padre Afonso Pacheco. espanhol. Padre Pedro Berno, suíço, Padre António Francisco (que as enciclopédias dizem natural de Coimbra) e o irmão Francisco Aranha, do Arcebispado de Braga. Estes mártires de Salsete ou Concolim foram beatificados por Leão XIII em 1893. Temos, portanto, que estes cinco missionários, um deles o Padre António Francisco, que é o que háde vir agora ao caso, são beatos desde 1893. De onde é que era realmente este Padre António Francisco? A sua naturalidade éreferida a Coimbra, como já dito, mas defendemos nós que ele era freixenista. Na descrição da vila de Freixo de Espada àCinta (1721) diz se: "Mais se venera por mártir de Cristo o venerável Padre António Francisco de Varejão, religioso da Sagrada Companhia de Jesus que alcançou a Coroa do Martírio em Salsete a 19 de Julho de 1593 (?) cujo retrato se conserva na Igreja da Misericórdia desta vila". É evidente que há aqui dados contraditórios, porque, se o martírio foi em 1583, não pode ter sido em 1593, como parece (?) constar na legenda do quadro. Por outro lado, se as enciclopédias o dizem natural de Coimbra, é lógico que não pode ser freixenista. O próprio Padre Manuel Teixeira, grande historiador de coisas do Oriente e natural de Freixo, põe em dúvida que o dito mártir seja de Freixo. Escreve o historiador: "... Sucede que há 50 anos andamos à procura de António Fernandes Varejão que, segundo a legenda, foi martirizado em Salsete em 1593, e até hoje (1993) nada encontrámos. Será que se trata de um pseudo mártir?". E mais acrescenta: "A dez de Setembro de 1974, dirigimos esta mesma pergunta ao nosso bom amigo Padre José Wicky, o maior especialista actual sobre os Jesuítas na índia, e a resposta foi: "Não conheço a vida do Padre António Fernandes Varejão em Salsete, em 1593, nem encontrei tal nos Martirológios da Companhia. Sobre o Padre António Varejão ou Varejão tenho uma nota: que nasceu em Freixo de Espada àCinta por 1563, entrou na Companhia em Junho de 1584, passou para a índia em 1594, foi reitor de S. Paulo de Goa em 1609 e 1610 e faleceu em Sena, 3 de Maio de 1611 (cf. Sebastrião Gonçalves, Hist. Dos Religiosos da Companhia de Jesus, Vol. II (Coimbra 1960) 199)". Se assim, seria lógico concluir que há contradição nos dados, pelo que poderemos estar perante dois Varejões: um que o quadro diz que foi martirizado em Salsete, e um outro, um pouco posterior, que morreu em Sena. Para além do mais, outra dificuldade se nos depara: A História diz que os martírios foram em 1583, no quadro, aparentemente, consta na legenda que foi martirizado em 1593, em que ficamos? Tentemos a nossa análise:
1.° É obvio que o Varejo de que fala o Padre Wicky e o Varejão do quadro não são uma e a mesma pessoa. E assim, porque o Padre Manuel Teixeira terá perguntado ao Padre Wicky por uma personagem que, muito embora com dados biográficos muito semelhantes, não tem a ver com o mártir de Salsete. Em verdade, o Padre Manuel Teixeira perguntou pelo jesuíta António Fernandes Varejão, o Padre Wicky dá informes sobre o jesuíta António Fernandes Varejão, quando o jesuíta representado no quadro é identificado, conforme a legenda, como tratando se de o Apóstolo António Francisco de Varejão António Francisco (e não "Fernandes") de Varejão. Se assim, nada tira que a personagem representada no quadro (António Francisco de Varejão "Martiriçado" em Salsete, como se refere na legenda) não seja o Padre António Francisco que os historiadores incluem no grupo de mártires de Salsete e que dizem natural de Coimbra. 2.° Pelo facto de, ao serem referidos os nomes, a naturalidade e a nacionalidade alguém ter escrito que o Padre António Francisco era de Coimbra, nada nos garante que não tenha havido um engano ou desconhecimento da sua verdadeira naturalidade (que, diga se, até podia ter alguma coisa a ver com Coimbra, como, por exemplo, ter estudado. ou outra). De resto, não será mais lógico crer na legenda do quadro que foi escrito poucos anos depois do martírio (talvez dez anos depois)? 3.° A legenda do quadro regista realmente a data de 1593 que, convenhamos, não é a data do martírio de Salsete, ocorrida dez anos mais cedo. Apesar disso, não é forçosamente de concluir que se trata do ano do martírio, senão, e apenas, que se há de tratar do ano em que o mesmo foi pintado. E assim, porque havemos de entender aquele quadro como uma espécie de ex voto (se éque não será mesmo um ex voto!) e nestes, em termos de distribuição de informes, tal como em muitos monumentos, é frequente serem apresentados e distribuídos assim os dados, nomeadamente o da data referente àexecução da obra. Veja se o seguinte exemplo. Num livro de Receitas e Despesas do Santo Cristo da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta, a folhas 3, aparece: "Treslado do letreiro que estava no retábulo velho da Senhora do Amparo na CapelaMor desta Santa Casa por onde consta ser privilegiado como o da Caridade Roma cujo treslado é o seguinte". E transcreve: "Quem disser, ou mandar dizer uma missa neste Altar, tira uma alma do Purgatório por qualquer alma que a disser porque é privilegiado este altar como o da Caridade de Roma". E, depois de uma vírgula, acrescenta: "asno de 1591". Este treslado aconteceu em 1734; mas, quanto à data de 1591, estaremos nós perante o ano em que o privilégio papal foi concedido, ou perante o ano em que o "letreiro", como se diz na acta, foi inscrito? Éde notar que no referente à data, no caso do "letreiro". ela acontece depois de uma vírgula: no caso do quadro do Padre Varejão, ela acontece após um ponto, muito embora a pontuação da época não seja de levar muito a sério, face às actuais regras gramaticais para a pontuação. 4.° Também na vila há mais do que uma padieira de janelas (algumas manuelinas) que, ao referirem o ano, assim dizem, e, quanto a estas, supomos que não valerá a pena perguntar se será esse ou não o ano em que foram construídas. Finalmente, é convicção nossa que, apesar da opinião do Padre Manuel Teixeira e dos informes do Padre Wicky (incompletos e desajustados, por certo) estará certa a informação expressa na legenda do quadro da Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta, que refere que o Padre António Francisco de Varejão foi Martiriçado"" em Salsete e que o quadro, uma espécie de ex voto, foi executado em 1593, décimo aniversário do seu martírio.
Capitão Vilares


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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