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Transmontanos e Durienses +

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NEGREIROS, Joaquim Trigo de

nasceu em Mirandela, em 11 08 1900. Faleceu em Lisboa, em 22 03 1973. Fez os estudos liceais em Bragança e aí conviveu com uma geração de notáveis transmontanos: Sarmento Rodrigues, Norberto Lopes, etc.. Manteve se sempre impoluto e firme no amor a Trás os Montes. Aos 23 anos concluiu o Curso de Direito em Coimbra, voltando para Vila Flor, onde o encontrou a Revolução de 28 de Maio de 1926. Desempenhava, nessa altura, as funções de Conservador do Registo Civil. De 31 de Julho a 26 de Setembro desse ano foi Presidente da Comissão Administrativa do Município. De 1928 a 1934 foi Conservador do Registo Predial em Valpaços. Daqui transita para o Porto, onde foi Primeiro Secretário do Tribunal da Relação e mais tarde Ajudante do Procurador da República. De 1938 a 1940 exerceu as funções de Governador Civil do Porto. Entre 28 de Agosto de 1940 a 6 de Setembro de 1944 foi Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social. Foi nesse período da sua vigência que se promulgaram leis vitais para a fundação da Caixa de Reforma dos Jornalistas. Instituiu para essa classe os ordenados mínimos e as normas de trabalho para os jornalistas. Criou o regime de abono de família tornando o extensivo aos trabalhadores por conta de outrém (desde 29 01 1944). De 06 09 1944 a 01 08 1950 foi Secretário de Estado da Assistência Social. Entre 0208 1950 e 14 08 1958 foi Ministro do Interior. Foi nessa qualidade que em 26 01 1954 encerrou o Tarrafal (Cabo Verde). Foi deputado em várias legislaturas, depois de ser governante. Foi Procurador à Câmara Corporativa. Foi ele que propôs (e conseguiu) mudar a censura em exame prévio. De 1958 a 1970 foi Presidente do Tribunal Administrativo. Ajudou a fundar na década de quarenta, o Diário Popular. Realizou uma obra notável, como governante, implementando um autêntico estatuto de saúde pública, cujos sortilégios ainda perduram. Esteve na origem do Hospital Escolar de Santa Maria que inaugurou em 27 04 1953. E também o Hospital de S. João, no Porto, para além de estar na origem de importantes melhorias no Hospital Miguel Bombarda. A sua acção ficou ainda ligada a mais 54 hospitais e 81 postos de consulta. A ele se deveu o grande incremento no ensino da enfermagem (em 1947). Em 07 111945 criou as delegações de saúde (que tinham surgido em 1837, mas que estavam desactivadas). Também foi ele que distribuiu as "regiões e sub regiões" em que a assistência hospitalar passou a ser assegurada em hospitais centrais, regionais e subregionais. Igualmente criou o "Fundo de Socorro Social". Graças a ele também os hospitais foram contemplados nos quadros de pessoal com capelães, por sugestão do então Cardeal Cerejeira.
Escreveu e publicou diversos trabalhos. Mas dois deles fizeram doutrina nas áreas da assistência social e competência sanitária: "Assistência Social Princípios e Realizações" e "Pensamento e Acção". Nestes dois documentos condensou todos os seus programas de governo. Tudo fez para erradicar várias epidemias que martirizavam a sociedade da sua época: varíola. tracoma. tuberculose e a lepra. Na área da segurança cívica equipou a GNR e a PSP com meios motorizados, imprimindo lhes uma dinâmica que deu nas vistas. Em dada altura um seu Subsecretário de Estado dava ares de que puxava para o marasmo governativo, anulando a dinâmica do ministro Trigo de Negreiros. Colocou o problema a Salazar que lhe disse: "Eu só mando em ministros. Nos Subsecretários de Estado mandam os ministros". Foi na sequência dessa regra que substituiu o indolente colaborador por Melo e Castro que foi um leal governante. Certo dia recebeu um adversário do regime no seu gabinete que lhe solicitava protecção para um amigo. Dias depois recebeu um livro com
a seguinte dedicatória: "Exoro. Senhor Dr. Trigo de Negreiros: V. Exa. recebeu me no seu gabinete de ministro onde fui interceder por um infeliz (Capitão Augusto Casimiro, exilado no Brasil), com tanta lhaneza e simpatia que sensibilizou o meu coração. Aqui lhe trago o testemunho do meu apreço e da alta consideração. Lisboa, Nov. de 1955 Aquilino Ribeiro". Foi um transmontano devotado, deixando marcas da sua influência. desde o lugar da Longra, onde nasceu, à freguesia de Abreiro, onde constituiu família,~a Mirandela, enfim, a toda a região. Paladino incansável das causas transmontanas, foi um cidadão probo, um intelectual raro, um político do melhor de sempre.
Rogério Reis


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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