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NAVARRO, Tino

de seu nome completo: Constantino Alberto Fernandes, nasceu em 1954, em Vila Flor e seguiu a carreira de produtor de cinema, usando o pseudónimo de Tino Navarro. Produziu diversos filmes, nomeadamente: Adão e Eva, Amor de Dedinhos de Pé, Os Cornos de Cronos, A Mulher do Próximo, Adeus, Pai, Tentação e Zona J. "Nasci pobre, em Vila Flor, Trás os Montes. O meu pai era ferrador e nós éramos onze. Só eu pude estudar. com uma bolsa. Mas só fui ao quinto ano. porque depois os meus pais não tinham dinheiro para me mandar para o Porto, Bragança ou Coimbra. Em minha casa lia se o "Comércio do Porto'. Como éramos muitos tínhamos de gerir bem os tempos de leitura. E líamos esse jornal por uma razão simples: Era maior e tinha melhor papel do que o Primeiro de Janeiro ou do que o Jornal de Notícias. E, como tal, servia para forrar e tapar os buracos da oficina de meu pai", confessou Tino Navarro, numa entrevista a Fernando Caetano à revista de O Independente, de 27 08 1999. Nessa entrevista explica se melhor: "Eu nasci em 1954, altura em que a televisão começou a aparecer. Mas era difícil o seu acesso. Também não víamos cinema. Nessa altura o meu fascínio eram os livros. Havia a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e eu lia tudo. Aventuras, claro... Na oficina de meu pai, enquanto eu tinha de tocar o fole, que era um trabalho totalmente mecânico, a cabeça ficava livre para imaginar coisas. As histórias que passavam pela minha cabeça... Mas ainda não as via como filmes, isso não. Depois, aos 15 anos, fui para França. Não podia continuar os estudos e tratava se de trabalhar. Entre ir para Lisboa, Porto, Bragança ou Paris, preferi Paris. Fui trabalhar na construção civil. Onze horas por dia, seis dias por semana. Nada que, na altura, centenas de milhares de outros portugueses não tivessem feito. Como era muito novo para poder passar as fronteiras e trabalhar em França, tive de usar uma cédula de meu irmão mais velho. Nessa época, as pessoas do campo não tinham bilhete de identidade. Havia só a cédula pessoal. um caderninho preto sem fotografia. Assim. em França, acabei por ter todos os meus documentos com o nome de um meu irmão, se bem que com a minha fotografia. Já mais tarde, em Lisboa, eu via tudo o que havia de filmes. As sessões clássicas do Império e do Monumental e, no Jardim e no Paris, via sessões duplas. Custavam sete e oito escudos. Só um dia cheguei a ver onze filmes. Comecei a trabalhar na Cinegra que fazia filmes de publicidade e um jornal de actualidades, menos virado para as necessidades do regime do que para outras coisas. Ao mesmo tempo frequentava as tertúlias da oposição, como as do Café Gigante, em Campo de Ourique ou a Cantina de Económicas". Fernando Caetano escreve que Tino Navarro "não exactamente um moderno. Os seus filmes são no mais. Para ele a moda é uma atitude inútil. Fala com gosto de uma época, 25, 30 anos atrás. Não diz mal de ninguém, não mostra frustrações, antipatias com alvo ou erupções enigmáticas de fúria, como é comum nos intelectuais. A luta política e o stress da produção de filmes não podem, contudo, ter criado um homem pacífico. Os filmes que ele produz batem recordes de bilheteira e fazem dele um homem com um trajecto de Escalas extraordinárias".


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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