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MORAIS, Graça

De seu nome completo Maria da Graça Pinto de Almeida Morais, nasceu em Vieiro. freguesia de Freixiel, concelho de Vila Flor, em 17 de Março de 1948. Em 1956 parte para Moçambique e fixa se em Guijá, mais tarde Vila Trigo de Morais. Aí frequenta a escola primária com freiras da Ordem de S. Vicente de Paulo. Em 1957 recebe uma caixa de aguarelas, das mãos do pai. Pinta e passa a recortar bonecos de papel. Começa a ler banda desenhada, ficção científica e vê televisão pela primeira vez. No ano seguinte regressa a Portugal com a mãe e os irmãos. Na passagem pela cidade do Cabo apercebe-se da violência da segregação social. Em 1959 entra no Colégio de Vila Flor, já em Trás-os-Montes. Continua a revelar-se no desenho e visita com frequência o museu da vila. Em 1962 entra para o liceu em Bragança. Passa a ser conhecida pelos seus desenhos. Um professor a sensibiliza positivamente: Francisco Videira Pires que passa a ser seu confidente. Em 1964 faz em pintura os cenários para a representação do "Auto da Alma". A figura de Cristo constitui o tema central das suas experiências pictóricas. Pela primeira vez experimenta o óleo ao copiar uma pintura de Courbet. Em prémio recebe das colegas um livro de Goya. Em 1965, por não ser habitual as mulheres frequentarem a escola artística de Belas Artes, entra no 6.° ano, desistindo ao meio do ano. Regressa a Vieiro e a solidão perturba a. É marcada pelos frutos campestres e pela vida árdua dos seus conterrâneos. No ano seguinte regressa ao 6.° ano ao liceu de Bragança. Começa a colaborar no jornal "Mensageiro de Bragança" e conhece uma senhora que viria a ser decisiva na sua entrada no curso de Pintura. Foi Maria Pinto de Azevedo que exerceu nela a decisão de entrar na ESBAP No ano seguinte morreu seu avô (Joaquim Pinto) de quem ela muito gostava. Tem alguns bons professores, como José Rodrigues, Jorge Pinheiro e Júlio Resende. Ganha nesse ano uma bolsa da Fundação C. Gulbenkian. Em 1970 vai pela primeira vez ao estrangeiro, visitando Londres, Amsterdão e Paris. Vê obras que não mais esquece de: Van Gogh, Chagall, Francis Bacon e Rembrandt. Em 1971 termina o curso de pintura e faz uma exposição no ESBAP, com pinturas sobre sedas sobrepostas, biombos, vestidos, etc.. Começa a trabalhar e a dar aulas sobre pintura. Casa nesse ano com o pintor Jaime Silva de quem virá a separar se. Nesse mesmo ano é colocada na Escola Soares dos Reis, no Porto, como docente. Em 1972/73 é colocada em Guimarães, como professora de educação visual. Deixa se encantar pela cidade e interessa se pela olaria. Participa na l.ª bienal de jovens artistas da Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão. Em 1974 fez a sua primeira exposição, a sério, no Museu Alberto Sampaio. Em 19 de Abril desse ano nasce a sua filha Joana. Em 1975 participa nos II Encontros Internacionais de Arte em Viana do Castelo. No ano seguinte expõe, com o então marido, na Galeria Dois, no Porto e, de novo, no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. Em 1976 vai com o marido e filha para Paris, como bolseira da Gulbenkian. Em 1977 expõe com o grupo Puzzle no Salon de Lá Jeune Peinture, em Paris, onde conhece Arroyo, Rancillac e Rabascall. Em 1978 começa a interessarse pela pintura de Matisse, Cézanne e Picasso. Faz várias exposições que começam a dar nos vistas dos entendidos. Em 1979 regressa a Portugal e fixa se em Lisboa. Em 1980 realiza a exposição: "O rosto e os frutos" na SNBA, em Lisboa e também na Cooperativa Árvore, no Porto. Ambas as mostras tiveram grande adesão do público. Em 1981 regressa a Vieiro com a filha. Durante dois anos entrega se a uma vivência de impregnação antropológica e entendimento do sentido trágico dos rituais. Nessa altura expõe na Galeria Roma e Pavia, no Porto. Fernando Pernes escreve o prefácio do catálogo. Em 1982 visita Colónia e Veneza. Pinta nesse ano três grandes quadros para a ARUS. Ganha, entretanto, o 2.° Prêmio na Bienal de Lagos, com a série "Os Cães", grandes desenhos sobre papel. Ainda nesse ano nasce o filho João que só vive algumas horas. Ela fica bastante doente e suspende a pintura por alguns meses. Em 1983 regressa a Vieiro e retoma os seus trabalhos. Com o frio de inverno desse ano os cães em que se inspirara morrem. Expõe na Galeria III, em Lisboa. Mostra cenas de caça, rostos de mulheres e desenhos vários. A Caixa Geral de Depósitos adquire lhe uma grande pintura e Sommer Ribeiro convida a a fazer parte de Representação Portuguesa na Bienal de S. Paulo. Em 1984 volta a Lisboa, expõe na ARCO e chega ao Brasil. Em 1985 expõe no Rio de Janeiro e também em Granada, a convite do já falecido escritor transmontano Fernão de Magalhães. É nesse ano que rompe a ligação a Jaime Silva. Continua em Lisboa e pinta a série "O erótico e o sagrado". Por essa altura é lançado o livro: "Graça Morais. Linhas da Terra", de António Mega Ferreira. Em 1986 expõe em Coimbra e conhece Miguel Torga. Visita a Itália e pinta o cartaz comemorativo dos 25 anos da organização Amnistia Internacional. No seguinte ilustra a capa do livro de Saramago: "o ano de 1993". Nesse ano morre o pai Artur de Almeida Morais. Ela fica doente com a hepatite B. Tem o apoio da família. nomeadamente da Mãe e da irmã Emestina, docente em Guimarães. Durante 4 meses deixa de pintar. Mas quando retoma o trabalho pinta num atelier improvisado num armazém de Manuel Brito. É nessa altura que a SEC lhe adquire algumas grandes telas: "suspensa entre a Terra e a Lua", "O Interdito Transfigurado" (esta comprada por João Pedro Paço d'Arcos). Expõe na Galeria III a série "Evocações e êxtases". Ainda nesse mesmo ano cai para Londres e aí trabalha de perto com Paula Rego. É entretanto escolhida para representar Portugal na Exposição EIGHTY No anos seguintes e sempre a partir do atelier de Lisboa (na Costa do Castelo) vai a uma infinidade de países, nomeadamente de África. Em 1991 obtém um prémio: Soctip Artista do ano. Liga se ao artista Pedro Caldeira Cabral. Desde aí não mais parou a sua constante actividade, com solitações de todas as latitudes, porque verdadeiramente se universalizou e atingui uma craveira mundial fulgurante.


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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