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MONTEIRO, Teodoro

6.° Director do Colégio 1965-1969, 3.° Abade do Mosteiro de Singeverga 1969-1977. Nascido na freguesia de Sedielos, concelho da Régua, a 7 de Julho de 1919, era filho de Serafim Monteiro e de Ana Pinto. Ainda criança na solidão da sua aldeia serrana, debruçada sobre as platibandas do Douro, donde, a poente, se contemplam as faldas da serra do Montemuro, e nascente, o cenário majestoso dos vinhedos da Penajóia até aos contornos da serra de S. Domingos, o Acácio Monteiro, de seu nome de baptismo, aprendeu a ler no azul do céu e nas pinceladas de neve o reflexo das maravilhas de Deus. Envolto na frescura virginal dos montes e vales e embalado no marulhar das águas dos córregos, a esgueirarem se caudalosas para o Douro, P.e Teodoro sempre que as suas múltiplas tarefas lho permitiam, adorava regressar às origens. Foram o seu habitat primeiro. E como ele vibrava, de cacifo na mão, a pisar o tojo dos montes, na safra de borboletas para a sua colecção! Terminando os estudos primários na sua terra natal, ministrados pelo sempre recordado professor José Bernardo Mansilha, o Acácio Monteiro, ingressou na Escola Claustral do Mosteiro de Singeverga. recentemente instituída pelos mondes restauradores da Ordem Beneditina em Portugal. graças ao gesto benemérito de D. Miquelina e sua irmã Maria Isabel, que fazem doação à Ordem de todos os seus bens patrimoniais. Por razões de conveniência é enviado para o Mosteiro de Santo André (Bélgica), para cumprir o Noviciado, findo o qual emitiu os votos simples a 15 de Janeiro de 1938. Entretanto, porque fora acometido de uma doença pulmonar, foi internado num sanatório, por sinal destinado a estudantes seminaristas, onde completou o 1.° ano de Filosofia. Parcialmente refeito da doença, no final do ano escolar regressou a Singeverga para continuar os estudos. Ordenado sacerdote em 8 de Agosto de 1943, na Sé Catedral do Porto, é nomeado Mestre de Noviços, cargo que vai desempenhar durante vários anos. Aliás, não houve grupo de formação monástica na comunidade que ele não tivesse acompanhado, desde Reitor da Escola Claustral até Prefeito de Clérigos, passando por Instrutor dos Irmãos Conversos e Mestre do Juniorado, (estudantes filósofos). A completar o currículo invejável de formador de monges, faltava ser Director do Colégio de Lamego, cargo que veio a exercer de 1965 a 1969, quando foi eleito III Abade do Mosteiro de Singeverga. Foi sob a sua superior direcção à frente dos destinos do Colégio que se completaram as obras de restauro, que o elevaram ao nível dos melhores do País, ao mesmo tempo que se rodeou de uma equipa de professores credenciados para a formação moral e científica dos alunos. O aproveitamento escolar atingiu os índices máximos, o que ajuda a explicar a elevada frequência de alunos que demandavam o Colégio para os diferentes ciclos de estudos. No ano em que foi elevado a Abade de Singeverga, 1969, o aproveitamento escolar nas mais diversas turmas foi de 100%. E nem foram descurados os planos cultural e desportivo na formação dos alunos. Durante a sua directoria foi levada a cabo uma Exposição de S. Bento, sob o alto patrocínio do Governador Civil de Viseu, da Câmara Municipal de Lameáo e da Delegação Distrital da Mocidade Portuguesa. onde os alunos puderam revelar todas as suas potencialidades artísticas na realização dos diversos trabalhos. Na prática desportiva, o Colégio participava em todas as frentes: atletismo, voleivol, andebol, ténis de mesa e tiro, arrebatando inúmeros títulos distritais e vice campeonatos. Mas a 26 de Junho de 1969, por eleição capitular, trocou a direcção do Colégio pelo abaciado do Mosteiro, e, comulativamente, a chefia dos destinos da Ordem em Portugal. Durante o seu abaciado teve oportunidade de visitar várias vezes as missões beneditinas no Leste de Angola, a antiga cidade do Luso, cidade do Superior Regular das Missões. Uma das vezes para comemorar o 40.° aniversário da missionação beneditina em terras angolanas, por louvável iniciativa do então bispo do Luso, Dom Francisco Esteves Dias, obs. Na qualidade de Abade de regime, participou em dois congressos de Abades beneditinos, em Roma, e dois capítulos Gerais da Congregação na Bélgica. Durante a sua doença, que sempre o marcou pela vida foram, Dom Teodoro. a partir de 1942, entretém se a coleccionar lepidópteros (borboletas), ao princípio, por mera curiosidade, atraído talvez pela policromia das asas. Não tardou muito, que. para além da paciente observação da diversidade policromada das asas, a perspicácia do futuro cientista descobrisse uma curiosa diversidade anatómica. Foi o início da carreira brilhante de entomologista cujo valor lhe grangeou renome mundial nas universidades estrangeiras. A sua colecção. a segunda mais valiosa do país, éconstituída por 13.000 exemplares. Destes, alguns espécimes eram desconhecidos das ciências entomolóóicas. Por sugestão dos seus colegas de Sociedades Estrangeiras foram catalogadas com o nome de quem asdos das ciências entomoló2icas. Em 1960. é convidado para sócio da Societé Entomologique de France; em 1957, da Sociedade Hispano Luso Americana de Lepidopetrologia de Madrid; em 1977, é convidado para membro do Centro de Zoo Sistemática do Instituto Nacional de Investigação Científica e da Societas Europeia Lepdoptrologica, com sede em Kalsruhe, na Alemanha. Finalmente, em 1979, é eleito 1.° Vice Presidente da SHILP de Madrid. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, desde 1957, contentava se em gastar o mínimo nas viagens de estudo que empreendia no nosso País e no estrangeiro.
Jorge Ferreira


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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