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Transmontanos e Durienses +

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GIRÃO, António Lobo de Barbosa Ferreira

Nasceu em 5.11.1785 em Vilarinho de S. Romão. Ficou conhecido, sobretudo, como 1.° Visconde de Vilarinho de S. Romão. Faleceu em 17.03.1863. Jornal Vos do Nordeste de 28.09.1999 publicou uma longa nota biográfica acerca deste ilustre transmontano. A Voz de Trás-os- Montes transcreveu essa nota na sua edição de 4.11.1999. Pela sua oportunidade aqui se reproduz: "Iniciamos esta crónica com um dos deputados transmontanos que mais se distinguiu nas Cortes vintistas e um dos nomes mais importantes do liberalismo e da história parlamentar portuguesa. Teixeira Girão foi um dos grandes oradores e uma das vozes que normalmente era ouvida e admirada pelos outros deputados. Foi também autor de diversas obras de cariz económico, com destaque para a vitinicultura, onde deixou de forma clara as suas ideias. Comecemos com uma pequena biografia deste ilustre transmontano. Um Nobre Liberal O primeiro Visconde de Vilarinho de S. Romão nasceu em 5 de Novembro de 1785. Era filho de António José Girão Teixeira Lobo de Barbosa, senhor do morgado de Vilarinho de S. Romão e de Dona Teresa Luísa de Jesus Sousa Maciel Teixeira Girão. Faleceu na terra natal, em 17 de Março de 1863, após uma vida rica em peripécias e marcada por uma brilhante carreira política e literária. Podemos dizer que António Girào foi um autodidacta, uma daquelas personalidades que aproveitavam todas as ocasiões para se instruir, bem ao jeito de Luzes e também um espírito prático e inventivo. A primeira educação recebeu a no próprio domicílio, onde teve como preceptor António Pinheiro de Azevedo, famoso professor de Provesende. Com ele aprendeu Latim, Filosofia e Eloquência. Em 1804, aproveitando uma viagem que com seu tio, António Caetano Girão. tez a Lisboa. estudou Francês. Inglês e adquiriu uma boa biblioteca, composta por livros de Física e Ciências Naturais. Reforçando a componente prática da formação, estudou Desenho. Geometria e .Arquitectura com arquitecto Francisco Correia de Matos, que estudara em Roma. Dedicou-se à agricultura, como era tradição na família, e introduziu nas terras de S. Romão muitas inovações, baseadas nos conhecimentos empíricos e nos estudos e experiências. Um bom exemplo foi a máquina de extracção do mosto, que ofereceu à Academia das Ciências de Lisboa e lhe valeu ser admitido como sócio da ilustre corporação. A inovação agrícola era já uma tradição na família dos morgados de S. Romão. Com efeito, sua mãe, Dona Teresa Maciel, recebeu em 1798 uma medalha de ouro da Academia das Ciências, como prémio de qualidade e inovação agrícola, por ter desenvolvido, com grande sucesso, a cultura da batata na Quinta de Vilarinho de S. Romão. Quando triunfou a Revolução de 1820, apesar da sua condição de nobre, declarou se liberal; considerando que a nobreza deveria guiar as novas ideias em vez de a elas se opor. Foi então eleito deputado às Cortes pela Província de Trás os Montes e nelas fez parte da Comissão de Agricultura. Nos debates assumiu uma posição nitidamente liberal e pela sua grande influência foi o principal responsável pela orientação de voto dos deputados transmontanos. Foi reeleito deputado para as cortes ordinárias de 1822. para as cartistas de 1826-28 e posteriormente Par do Reino (1834). Após a Vilafrancada foi exilado para o Algarve (Sagres) onde teve como companheiro Manuel Gonçalves Miranda, outro deputado transmontano. Aproveitou o exílio para aprender Matemática com o colega. Com o estabelecimento do Governo absolutista homiziou se nas terras de S. Romão e só voltou a aparecer publicamente em 1833. Durante cinco anos esteve escondido no sótão do seu solar, gozando apenas da companhia dos seus pincéis e livros. As únicas visitas que teve foram da mulher e de alguns amigos, que, tal como ele, se encontravam escondidos para fugir ao terror miguelista e, por isso, eram obrigados a vestir se de soldados, de criados, ou até a usar trajes de mulher, para se deslocarem. Aproveitou António Girão este quinquénio para se dedicar ao estudo e redigir grande parte das obras numa das quais narrou esta experiência e significativamente intitulada: Histórias de Meninos, para quem não for creança. escriptas por um homisiado que sofreu o marmrio de estar escondido cinco annos e dou meies. Em 1833 alistou se para combater ao lado de D. Pedro e teve papel preponderante. durante o cerco de Lisboa, ao fazer os planos para reabastecer de água a cidade que se encontrava cercada pelas tropas miguelistas. Regressado à vida política foi nomeado Par do Reino e recebeu diversos cargos e honras dos quais se destaca o título de visconde de S. Romão, que lhe foi concedido por decreto de D. Maria II de 17.11.1835. Recebeu e desempenhou ainda outros importantes cargos: Inspector das Águas Livres e das Fábricas Anexas; Provedor do Papel Selado; Presidente Honorário de Instituto de África; Fidalgo e Cavaleiro da Casa Real; Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição; Administrador da Casa da Moeda: Prefeito de Trás-os-Montes e da Estremadura. Era também importante agricultor e reconhecido economista e nesta qualidade foi sócio da Sociedade Promotora da Indústria Nacional. As ideias económicas dum viticultor O primeiro visconde de S. Romão deixou uma extensa e interessante bibliografia. Nela sobressaem os estudos sobre a agricultura, especialmente das vinhas. sendo o mais conhecido a Memória histórica e analytica sobre a Companhia dos Vinhos denominada da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1833), que, de acordo com Inocêncio Silva, é o que de mais completo se escreveu sobre esta instituição. São também muito interessantes os seus estudos sobre economia, e nomeadamente sobre economia doméstica e até a culinária. Citemos aqui apenas dois títulos: Memória sobre a economia do combustível por meio de vários melhoramentos que se devem fazer nos lares ordinários, fornalhas, fornos e fogões (1834); e Arte do Cosinheiro e do Copeiro, compilada dos melhores que sobre isto escreveram modernamente (...) (1841). Alguns dos seus trabalhos foram publicados nas Memórias da Academia das Ciências e escreveu ainda diversos artigos para a Revista Universal Lisbonense, para os Annaes da Sociedade Promotora da Indústria Nacional e para outros periódicos. A sua obra constitui um bom exemplo do modo como a herança do movimento das luzes, e do reformismo que o caracterizou, se fez sentir entre nós, durante a primeira metade do século XIX. Além da grande variedade de temas abordados, nela perpassa a defesa da instrução e do saber como bases do progresso e do desenvolvimento económico do país. Dotado de espírito prático e inventiva, para ele a aquisição de conhecimentos tinha, acima de tudo, um sentido pragmático e operativo. Divisamos na obra e intervenção política de Teixeira Girão duas ideias bases: em primeiro lugar a defesa do desenvolvimento agrícola e sobretudo o aumento da produção vinícola. A quantidade e a qualidade eram para ele conciliáveis. Deveriam, assim, eliminar se todos os entraves que bloqueavam a expansão da produção e do comércio livre e por isso insurge se contra os tributos e monopólios. Em segundo lugar, considerava que para conseguir este desenvolvimento económico do país, a instrução e inovação científica e tecnológica, que ela origina, eram as estratégias indispensáveis. Era preciso pôr em prática os ensinamentos dos economistas, modernizar e inventar novas máquinas, divulgar e introduzir novas culturas agrícolas, como a batata e, enfim, aprofundar os estudos agronómicos.
O romantismo e ardor que colocou na defesa das novas ideias conduzem a situações que podem parecer paradoxais, tais como, vermos um morgado a combater os morgadios e a reclamar a liberdade das terras, o fim dos vínculos. dos dízimos e de todas as formas que entravem a produção. Valorizando a terra livre e o trabalho livre, base da inovação, as ideias económicas de Teixeira Girão continuam a ser uma referência obrigatória para todos os que consideram o sector vinícola e, em especial a vitivinicultura duriense, como uma das melhores apostas para o progresso moral e económico da nação. Muito teríamos a escrever sobre a vida e obra de Teixeira Girão, que aguardam, tal como a de muitos outros portugueses, por investigadores ou até por cineastas em busca de inspiração.
In "A Voz do Nordeste" 28/09/2000


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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