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FURRIEL, Manuel

Nasceu em Miranda do Douro. Foi essencialmente um contabilista nos primeiros anos de vida. Depois foi até S. Tomé, onde exerceu funções administrativas numa das principais roças da Ilha. Teve sempre um elevado nível de vida. Casou com uma senhora de ascendência holandesa e africana. Não houve filhos do casamento pelo que após o falecimento da esposa regressou a Portugal, instalando se em casa da mãe, em Miranda. Entretanto foi nomeado Presidente da Câmara, desenvolvendo uma assinalável actividade em prol do concelho. Desse esforço fala o sobrinho Fernando Augusto Furriel, médico com 85 anos à data (Maio de 2000) em que nos fornece o retrato do tio, o briografado. Dele escreve: "Instalou no grande terreno fronteiro às ruínas do Castelo, um motor que passou a produzir electricidade para Miranda. Isto passou se justamente em 1932 e coincidiu com as minhas férias, que aí passei, após a conclusão do 7.° ano do liceu. Eu próprio, por imposição do meu tio Manuel, tive de fazer a minha estreia na oratória, pois ele impôs me a obrigação, de também proferir umas palavras. Promoveu o abastecimento de água a toda a cidade, passando a dispensar se a trabalhosa deslocação de burrinhos com cântaro que, descendo a Rua da Costanilha e passando ao fundo por uma Porta da Cidade, iam à "Fonte dos Canos", abastecer se de água, destinada a todos os usos domésticos. Imagine se bem, o que tal representou, como progresso para a Cidade. Promoveu uma acentuada melhoria nos pavimentos das ruas. Recordo ainda, que, junto à Cidade de Miranda, só havia 6 km de estrada, até Malhadas: a viagem do Porto a Miranda, demorava, normalmente 3 dias: no 1.° dia, seguia se de comboio até ao Tua; aí havia transbordo para a linha que ia até Bragança, onde se chegava ao fim do dia. Pernoitava se nessa Cidade e. pela manhã, bem cedo do 2.° dia, estava àporta da pensão, um carro puxado por muares ("char à blane"), carro que transportava imensas pessoas e bagagens e nos levava até Vimioso, onde se pernoitava novamente. Ao 3.° dia, pela manhã, formava se uma caravana, com cavalos para transportar os homens e, burros com cadeirinhas na albarda, para transportar as senhoras; outros animais ainda, transportavam as bagagens. Daí partíamos, passando por Caçarelhos, Genízio e Malhadas, atingindo finalmente Miranda. Lembrou se meu tio Manuel de convidar o então Ministro de Instrução, Dr. Alfredo de Magalhães, para uma visita a Miranda. Essa viagem foi feita em automóvel e nas melhores condições até Vimioso. A visita propriamente dita, correu dentro das melhores condições diplomáticas, pois, inclusivamente ao Dr. Alfredo de Magalhães, foi oferecida uma "Capa de Honras", o que ele muito apreciou. A parte curiosa dessa viagem, é que o Ministro, contrariando oportunas e judiciosas sugestões, no sentido de fazer o percurso, de Vimioso para diante, em veículo puxado por muares, em virtude de não haver estrada, ele, Ministro, insistiu em utilizar o automóvel em que seguia até aí e, a partir de então, a viagem tornou se tão difícil que, em determinadas ocasiões, os passageiros tiveram de sair do automóvel e, até mesmo de o empurrar, para com a ajuda da força do motor poder transpor certos lagedos mais íngremes. Foi esta peripécia de percurso, que permitiu, que logo de seguida, fosse conseguida verba para se fazer a estrada de ligação, entre Vimioso e Malhadas; e mais ainda, pouco depois, foi feita a ligação de Mogadouro por Sendim e Duas Igrejas até Miranda. Quero dizer: a ligação por estrada, de Miranda com o resto do país, passou de zero para dois, o que foi, na realidade obra notável e, que me parece bem justo salientar, pelo progresso que representou. A ingratidão, é, em política, um mal bem conhecido, e vejamos o que se passou a seõuir: Para Miranda eram transferidos, normalmente 3 ou 4 personalidades, que, por convicções políticas, contraditórias ao Estado Novo, também não eram casos que justificassem, como tantos outros, a fixação no Ultramar. Tratava se habitualmente, de pessoas cultas, com quem era até, imensamente agradável conviver e eu reeordome que, nos fins de tarde, após o jantar, que decorria, então, entre as 4 e as 5 horas da tarde, faziam se caminhadas a pé, estrada fora após a passagem da Porta Principal da Muralha e era muito frequente, eu acompanhar o grupo constituído por meu tio e esses elementos avessos à política do regime em questão. A repercussão dessa atitude de meu tio, veio a criar um mal est§§§ar, culminando com a interrupção brusca da sua carreira política. A essa situação, seguiu se o abandono da Cidade e, chegado ao Porto, foi acolhido por meu pai, seu irmão e afilhado. Alguns meses depois, foi meu Tio Manuel fixar se em Viseu, em casa do cunhado, meu tio Abílio, que tinha em elaboração uma fábrica de curtumes, com próspero negócio, mas onde faltava alguém para o ajudar e controlar a parte comercial. Meu tio Manuel aceitou, de bom grado e com bom proveito mútuo, uma colaboração em que os seus conhecimentos de contabilidade, permitiram um maior êxito financeiro, nessa indústria da firma "Curtumes da Beira, Lda.". Aí permaneceu seguramente mais de 10 anos e aí faleceu. Lamentavelmente, nunca houve, até hoje, alguém que tenha reconhecido o que representou, em benefício para aterra, o seu desempenho nas funções de Presidente da Câmara de Miranda do Douro, durante vários anos ".
Fernando Furriel


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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