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F


FRAGATA, Júlio Moreira

Sacerdote professor universitário (n. Seixo de Ansiães), 1920 m. Braga, 1985). Desde 1954 professor de História da Filosofia Moderna e Contemporânea da Faculdade de Filosofia de Braga. Director da mesma Faculdade de 1968 a 1971, cargo que retomou a partir de 1978. Superior provincial da Companhia de Jesus (1972-1977). Director da secção de Filosofia da VELBC. Sócio fundador e membro da direcção do Centro de Estudos Fenomenológicos de Coimbra. A fenomenologia, especialmente na forma elaborada por Husserl, foi constante tema de reflexão para Fragata, desde a tese doutoral, "A Fenomenologia de Husserl como Fundamento da Filosofia" (1959), até "Fenomenologia e gnoseologia" (1983), dela elaborando uma das interpretações mais penetrantes e criativas. Considera, com Husserl, a Filos. um saber de fundamentação radical, em ordem a uma amiversalis sapientia, o que obriga a uma ausência total de pressupostos e, por isso, a serem dadas as "coisas mesmas" numa evidência directa, própria do mundo natural, é assim abandonada. dando lugar a uma evidência de ordem reflexa, reveladora do objecto numa relação intencional ao sujeito. O filósofo deve, pois, atender, não àrealidade na consciência, ao fenómeno. A evidência apodítica do fenómeno liberta do problema da coisa em si, originando um idealismo transcendental. F. vai mostrar que a intuição do fenómeno puro não encerra o sujeito no solipsismo, antes impõe a exigência de um mundo transcendente. A realidade transcendente não foi negada, mas colocada apenas "entre parêntesis". Aplicando a essa realidade a doutrina husserliana da associação binária e recorrendo à noção de "intuição categoria)", ela aparece nos como conjuntamente dada com a vivência interna do fenómeno, i. é, apercebida, alcançando uma evidência "apodítica", implicada no sujeito cognoscente. Esta interpretação de Husserl, coada através da tradição especulativa ocidental, é a base da filos. própria de F. Dos seus métodos e processos dão conta "Reflexão sobre o método filosófico e suas implicações gnoseológicas" (1971) e "A filosofia e o saber" (1986). As ideias encerram uma representação, que implica uma imagem referida directamente a um objecto sensível e, por outro lado, uma sigraifrcação; graças a esta, as ideias adquirem um sentido pelo qual tomamos conta do objecto enquanto objecto conhecido. No campo filosófico, ao invés das ciências físicas e da matemática, em que o objecto significado coincide com o objecto representado, a ideia representa uma coisa e significa uma outra que a primeira implica, mas que não pode ser demonstrada nem verificada. Apercebo me do objecto significado na representação e distinto desta, mas não o percebo. Não se demonstra, como nas matemáticas, nem se prova, como nas ciências exactas. A Filos. intui por especulação, atinge analogicamente o implícito naquilo que conhecemos. A realidade transcendente não é negada pela atitude transcendental, pode alcançar se por intuição, não como é em si, mas por "associação", intuição essa apodítica por se dar inseparável com o fenómeno puro.
Assentes as bases do método filosófico, vai F. estudar temas de ordem especulativa, confinantes com a teologia, particularmente os problemas do uno e do múltiplo e o da causalidade. A solução proposta para o primeiro não vai ser dada pela doutrina tradicional da potência e do acto, justa dentro de uma imagem fixista do mundo, mas não numa concepção evolutiva, inspirada em Teilhard de Chardin e que F. defende. Para esclarecer o problema do uno e do múltiplo é nova a terminologia utilizada; assim, o essente é um elemento do conjunto vulgarmente designado por "seres" e Ser responde àquilo mediante o qual os essentes são, i. é, por um lado aparecem como unidade e, por outro, como ligados entre si. O ser não se esgota em essente algum nem na totalidade dos essentes. Penetra os e transcende os e cada essente manifesta o. Cada essente diversifica se ainda continuamente nos diversos estádios da sua evolução. Para F. o essente não possui unidade perfeita, pois é plural. Essa unidade imperfeita tem por componentes um principio de interioridade, pois o essente só o é quando está em unidade com o ser e consigo mesmo; um princípio de exterioridade, pois o essente, derivando do ser mesmo, tem de lhe ser exterior; e um princípio de totalidade que unifique constantemente os anteriores, encontrando se todos três em união dinâmica, de dinamismo transitivo. Qualquer essente do nosso universo é necessariamente material e espiritual, pois não épura interiorização, não é unidade perfeita. Esta doutrina também explicaria a identidade do indivíduo ao longo das alterações e ainda a identidade da pessoa humana, que é um essente consciente da sua totalidade indestrutível por uma "revelação natural" e que a exprime pela palavra "eu". A teoria dos três princípios (interioridade, exterioridade e totalidade) vai considerar a pessoa humana numa linha evolutiva que visa a sua unidade. A correlação destes três princípios é que identifica o homem singular, tanto antes do nascimento como depois da morte. A perenidade do essente pessoal faz com que este permaneça ele mesmo. A pessoa desenvolve se num universo que engloba e supera as condições biológicas do universo físico químico. incluindo a morte. Passa para além dela. conserva sempre a identidade do seu ser. As consequências mais de ordem teológica desenvolve as em "Morte e perenidade" (1984). O segundo tema de reflexão. o da causalidade, foi objecto de um artigo. embora breve, "O problema da causalidade", editado postumamente ( 1986). Para evitar equívocos, propõe. para a causalidade, uma nova terminologia. A causalidade de Deus no mundo, criadora ou não. é designada por causalidade dativa (do lat. Ducere). Os essentes. derivados da actividade dutiva de Deus, são dotados de uma causalidade produtiva. Entre essentes há uma causalidade indutiva, fundamento da interacção de todos os essentes que desse modo formam o universo. Esta terminologia leva F. a conceber a causalidade como eficiente em todos os seus aspectos (seja dutiva, produtiva ou indutiva), abandonando as designações clássicas de eficiente, exemplar e final. Deste modo seria possível considerar o problema moral sob um prisma diferente, bem como explicar, mais satisfatoriamente, em que consiste o milagre.
OBRAS PRINCIPAIS: "O existencialismo teológico de Kierkeóaarde", in Filosofia (2), 1956; "Husserl e o fundamento das ciências", in Rei. Port. de Fil. (13), 1956; "As leis da natureza e os fenómenos imprevistos", in Rev Port. de Fil. (14), 1958; A Fenontenologia de Husserl como Fundamento da Filoso'/ia, Braga, 1959; "Metafísica husserliana e metafísica tomista", in Reu Port. de Fil. (15), 1959; "A filosofia da existência: origem, características e situação na filosofia actual", in Rev. Port. de Fil (16), 1960; "O problema de Deus na fenomenologia de Husserl", in Reu Port. de Fil (17), 1961; "Problemas de Fenomenologia de Husserl, Braga, 1962; "Materialismo dialéctico e mundo contemporâneo", in Rei. de Port. de Fil. (18), 1962; "O humanismo existencialista de Satre", in Rev Port. de Fil. (18), 1962; "Husserl e a Filosofia da Existência", in Reu Port. de Fil. (21), 1956; "O conceito de ontologia em Husserl", in Perspectivas da Fenomeaologia de Husserl, Coimbra, 1965; "Humanismo e ateísmo", in Brotéria (87). 1968; "Reflexão sobre o Método femonenológico e suas implicações gnoseológicoas", in Rev. da Fac. de Letras da Uniu do Porto Série, filosófica (1), 1971; Noções de Metodologia. Para a Elaboração de um Trabalho Científico. Porto. 1980; "O Problema do uno e do múltiplo esboço de uma solução", in Rei: Port. de Fil.. (36) 1980; "Uma interpretação do fenómeno puro de Husserl como fundamentador". in Rev. Port. Fil (38 II), 1982; "Fenomenologia e gnoseologia". in Rev. Port. de Fil. (41). 1985; A filosofia e o saber", in Rev. Port. de Fil. (42). 1986: "A Morte e a Perenidade", in Rei. Potv. de Fil. (42), 1986; "O problema da causalidade". in Rev. Port. de Fil. (42), 1986.
BiBiL: A . F. Marujão, "O pensamento filosófico de Júlio Fragata", in Rev. Port. Fil. (42), 1986; M. J. Cantista; "A fenomenologia e o tema de Deus (Análise interpretativa de Júlio Fragata)". in Rev. Port. de Fil. (43), 1987; Rev. Port. de Fil. Homenagem ao P. Júlio Fragata (19201985). Braga (42). 1986, fase. 3 4.
Alexandre Fradique Morujão In, Logos. Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia, 2 volume


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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