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Transmontanos e Durienses +

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FERRAZ, P. José Telmo

Nasceu em 25 de Novembro de 1925, na freguesia de Bruçó, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança. Depois da instrução primária, na sua terra natal, ingressou no Seminário de Vinhais, passando em seguida para o Seminário Maior de Bragança, onde veio a ser ordenado sacerdote em Julho de 1951. Colocado como pároco, logo a seguir, na freguesia de Genízio, concelho de Miranda do Douro. passou, dois anos depois, para as paróquias de Vila Chã da Graciosa e Picote no mesmo concelho facto que viria a marcar toda a sua vida de sacerdote. Naquela altura, começava a ser construída a Barragem de Picote no Rio Douro. Vindos de vários pontos do país, chegavam lá homens carenciados e desprotegidos à procura de trabalho, sem família, sem dinheiro, sem abrigo e sem roupa, cansados duma longa viagem. A todos recebeu o P. Telmo, com caridade cristã, procurando arranjarlhes trabalho por intermédio dos engenheiros da barragem com quem mantinha boas relações de amizade e confiança. Para livrar aquela gente do frio e da noite, aconselhou os a construírem barracas, ajudando se uns aos outros. Tal foi o entusiasmo que dentro de pouco tempo fizeram casinhas e casinhas e muitos mandaram ir as famílias para junto deles. Estava descoberta a grande vocação social deste homem de Deus. Em 1956, começou a construção da Barragem de Miranda do Douro e o P. Telmo acompanhou também o início desses trabalhos, pondo igualmente o seu esforço e o seu carinho ao serviço dos mais desprotegidos. Data desta altura. o seu livro de poemas O Lodo e as Estrelas que mais não é que a expressão das emoções que lhe despertavam na sua alma sensível aos problemas daquela gente. Apaixonado pela construção de barragens e pelos problemas sociais e humanos que desencadeavam, partiu, em 1959, para a Angola. acompanhando a construção da Barragem de Cambambe, no rio Cuanza. Terminada esta obra, regressou a Portugal pelo Natal de 1962, pedindo então ao seu Bispo licença para ingressar na Obra do Padre Américo ou Obra da Rua que, como todos sabem. se dedica a trabalhar com meninos com graves problemas familiares e sociais. Em 1963, esta obra estabelecia se em Angola (Malange e Benguela), e o Padre Telmo foi designado responsável da Casa do Gaiato de Malange que ele construiu de raiz numa fazenda a cerca de 10 quilómetros da cidade, junto à estrada que liga Malange a Luanda. Ali trabalhou, com todo o entusiasmo, até 1975, mesmo para além da Independência de Anáola. Nesta altura, a Casa do Gaiato de Malange era já uma aldeia com várias residências, muito airosas, uma lindíssima capela, um amplo refeitório, oficinas de vário tipo, vacaria, pocilga e todo o instrumental duma forte casa agrícola. Praticando a pedagogia da porta aberta, que fora timbre do P. Américo, o P. Teimo. tinha sempre patente a Casa do Gaiato, onde a população de Malange ocorria sobretudo aos Domingos a deleitar se à sombra das árvores ou mesmo a dar belos passeios de barco na lagoa que ele lá tinha escavado. Tudo lhe foi tirado, vendo se o P. Telmo obrigado a instalar se numa fazenda próxima, na sanzala de Carianga, com os rapazes maiores de 18 anos cujo o encargo o estado já não assumia. Em 1980 foi o P. Teimo eleito principal responsável pela Obra do P. Américo, sendo, por isso, obrigado a regressar a Portugal em 1981, passando a trabalhar na Casa do Gaiato de Paço de Sousa. Com a viragem política, após a queda do Muro de Berlim, a Obra da Rua foi de novo convidada a regressar a Angola, sendo lhe então restituídas as antigas casas de Malange e Benguela. Voltou o P. Telmo a dirigir a Casa de Malange, que encontrou praticamente destruída, e que, por isso, teve de reconstruir com tanto ou mais trabalho que da primeira vez. Com altos e baixos, ao sabor da guerra, a Casa do Gaiato de Malange foi de novo reactivada, albergando hoje quase duas centenas de rapazes, a quem o P. Telmo, não obstante a avançada idade, continua a dedicar se com incansável esforço e total dedicação. Mesmo assim, ainda arranja tempo para socorrer àsua volta uma multidão de desgraçados a quem a guerra deixou sem pão e as minas mutilaram cruelmente.
Publicou o livro de poemas O Lodo e as Estrelas, em 1960, em edição do Autor, que veio a ser retirado da circulação pela censura do antigo regime. A 2.a edição foi publicada pela editorial da Casa do Gaiato, em 1975. Para além deste livro, o P. Teimo tem nos dado outros mimos da sua alma de poeta, no jornal O Gaiato onde colabora com assiduidade, com páginas de rara beleza e fina sensibilidade.
Isaque Barreira


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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