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C


CEUTA, Agostinho de

é o título de uma das obras menos conhecidas e apreciadas de Camilo Castelo Branco. Contrariamente a muitas outras, não conheceu senão duas edições o que, por padrões editoriais camilianos não se pode dizer que seja muito. Esta primeira edição saiu em 1847, impressa na Tipografia de Bragança. Onze anos depois (1858), sairia uma segunda edição no Porto. São duas edições da juventude de Camilo, em que o grande escritor ainda não teria afinado o apurado sentido crítico a que sujeitava também a sua própria obra. A maturidade não se compadeceria com novas edições de uma obra epigonística e claramente inferior. "Agostinho de Ceuta" é um dramalhão histórico, cheio de retórica inflamada de princípio a fim, bem ao gosto do teatro romântico. Os seus modelos são o "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, e as obras de Mendes Leal, dois dramaturgos que Camilo cita na breve nota introdutória que acompanha a obra. A acção situa se em pleno reinado de D. Afonso VI, já na fase final em que uma conjura vai destituí ]o e pôr no trono seu irmão, futuro D. Pedro II. Os acontecimentos históricos são o pano de fundo para uma história de amor desigual entre um pagem (Agostinho de Ceuta) e uma dama nobre (Dona Leonor de Melo) receita romanesca que Camilo tanta vez usará nas suas novelas. Não falta igualmente outro ingrediente bem camiliano: a revelação final de uma identidade insuspeitada. De facto, no último acto vem se a saber que Agostinho, o pagem, é afinal filho natural de D. João IV e da abadessa da Madre de Deus, o que o torna digno do amor de Leonor... Camilo não tinha grande opinião sobre este seu drama, e no prefácio da Segunda edição escreve: "Há doze anos que um rapaz sem leitura, sem meditação, sem crítica nem gosto escreveu um drama para ser representado em teatro da província Confessava ele mesmo no prólogo que "lera quatro dramas originais portugueses, e alguns do Arquivo Teatral" Que ignorância e que atrevimento! O drama fez gemer o prelo e o senso comum. Saiu donde nunca tinha saído coisa melhor nem pior: das tipografias de Bragança. Oh! que berço!" E em seguida refere se lhe em termos que não deixam dúvidas: "aleijadinho", "miserando", "mostrengo", "a coisa". "Agostinho de Ceuta" foi escrito em Vila Real e aqui apresentado por amadores, num teatro que seu tio João Pinto da Cunha, segundo marido (depois de ter sido amante) da tia Rita Emília, teria mandado aparelhar para o efeito em barracão seu. Este teatro é possivelmente o que aparece referenciado em algumas plantas antigas como "teatro velho", com frente para a Rua do Tribunal e para a Rua da Cadeia, ou seja, em termos de actualidade, situado algures na corrente de casas entre a Travessa das Chanças e a Avenida 1.° de Maio. Do elenco teriam feito parte. entre outros, os amigos de Camilo. José Maria Alves Torgo e Luís de Beça Correia. Ao que os biógrafos crêem, esta tentativa literária de Camilo tinha um objectivo romântico: seduzir Patrícia Emília. A qual. com efeito. se deixou raptar por Camilo pouco depois. embarcando ambos numa aventura que os levou à Cadeia da Relação do Porto.
A. M. Pires Cabral, in História ao Café, 12-5 1998


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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