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CARVALHAIS, José Herculano Stuart Torres de Almeida (1887/1961)

Nasceu em Vila Real, Desenhador, Ilustrador e Caricaturista de um humor popular e brejeiro, raramente vulgar e muitas vezes de um sensualismo imediato, surge pela primeira vez em 1911, nas páginas d'A Sátira, que codirigia. A partir daqui terá uma enorme colaboração em quotidianos, magazines e jornais humorísticos de variada feição política. O seu lápis não tinha ideologia e a sua atenção dirigia se sobretudo para os costumes duma vida citadina que experimentava. em noites de boémia ou nas manhãs seguintes, com o sol lisboeta entre varinas, pedintes, ardinas e policias ou burgueses pançudos e suas damas. Definidas num desenho espontâneo, estas eram as personagens da sua obra humorística e sentimental. Em 1913, partiu para Paris convivendo na capital francesa com Almada Negreiros e Sousa Cardoso, entre outros.
Mas o sucesso que teve em jornais famosos não foi suficiente para o fazer ficar, e tudo abandonou para voltar à vida lisboeta. Em 1915, criou as personagens de uma primeira banda desenhada portuguesa: o Quim, o Manecas e o seu cão Piloto que, lançadas em múltiplas aventuras, se tornaram popularíssimas e foram mesmo revividas vinte e tantos anos mais tarde no Diário de Lisboa. A ingenuidade dessas aventuras correspondia ao poeta que Stuart era, no seu amor simples pela rua e pelas mulheres bonitas que a cruzavam. Admirado pelos colegas mais reputados, fugiu sempre a exposições colectivas e individuais. A grande generalidade das suas obras são desenhos rápidos de quem apressadamente teve de cumprir tarefas, tantas vezes mal pagas. Mas também realizou pinturas a guache e a pastel que surpreendem pela sua construção e pelo colorido. Outras surpreendem ainda pela escolha de temas paisagísticos, como se através delas tentasse fugir da constante referência citadina dos seus desenhos. Trabalhou ainda em cenografia para teatro e cinema, mas é realmente como caricaturista que a sua obra se destaca. A prática de caricatura, nas revistas e nos jornais, que constituía a fonte de rendimentos de inúmeros artistas, obrigara os desenhadores a de alguma forma acompanharem as actualidades, pelo que as personagens típicas de outrora deixaram de ser camponesas para se tornarem citadinas. Nos anos 20, os caricaturistas registaram desde cedo o aparecimento de novas modas urbanas, divulgadas pelo primeiro país a sair da crise do pós guerra. os Estados Unidos. O jazz bartd americano teve repercussão mundial e anunciou a folle époque parisiense. Através dos EUA chegaram as representações das calças à golfe, do fato de banho reduzido e até do cabelo à garçonne, proposto em Paris por Coco Chanel... Poucos artistas plásticos portugueses terão transmitido tão bem os contrastes do modo de viver dos anos 20. como Stuart Carvalhais. Os seus apontamentos. por vezes feitos com um pau de fósforo molhado em tinta que num pequeno tinteiro transportava sempre no bolso, transportam nos facilmente para a Lisboa da década de vinte, dos cafés de artistas e das tabernas dos marinheiros e prostitutas. Criando com as suas caricaturas um pnzzle de imagens que constitui uma notável crónica da vida quotidiana lisboeta, a sua arte não é de denúncia nem de revolta, mas a expressão livre da boémia pobre e marginal de Lisboa. O jornalista Reinaldo Ferreira, que o entrevistou em 1923 para a Revista Portuguesa, definiu assim a sua multiplicidade: "(...) os seus janotas que se popularizam; os seus Quins e os seus Manecas e sobretudo as suas mullheres, em cujos rostos a rnaquillage seduz as suas figurinas flagrantes de moças de pernil torneado tentadoramente, numa exibição galante de ruas, são da Europa, são de Paris, mas são também de Portugal e de todos os países onde houver alma para sentir e criar, dentro das contemplações, os seus ambientes e as suas personagens". Em 1926 Stuart foi internado na Casa de Saúde da Idanha e, depois, no Telhal, para desintoxicação alcoólica. Foi o caricaturista mais próximo da vida, que retratou, transportando na sua boémia uma experiência da vida sem transcendência e de um comovido sentido humano. Em 1949 doze anos antes da morte, foi distinguido com o Prémio Domingos Sequeira, do SNI.
BIBL.: José Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, Lisboa, 1991; Rui Mário Gonçalves, História da Arte em Portugal. Pioneiros da Modernidade, Vol. 12, Lisboa, 1986; História da Arte Portuguesa (dir. Paulo Pereira), Vol. III, Lisboa, 1995.
Maria José Pinto In, 1 vol. Dicionário de História do Estado Novo


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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