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Transmontanos e Durienses +

C


CANAVEZ, Nuno dos Santos

Nasceu em 8.5.1935, em Vale de Juncal, freguesia de Abambres, concelho de Mirandela (Ver I vol. Págs. 113/114). A propósito da publicação de "Novos Subsídios para uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro" Ramiro Teixeira assinou uma página inteira que O Primeiro de Janeiro de 12/9/99 publicou e que se reproduz: "Há justamente vinte anos publiquei um livrinho, em estreia literária, no qual defendia a ideia de que a manifestação criadora não se condiciona somente à matéria artística, no sentido elitista do termo. Nesta perspectiva, considerava que todo o ser humano épotencialmente um criador, um deus menor, apto a afirmar a sua individualidade e a sua estética pessoal, o seu específico ordenamento do mundo, através dos mais comezinhos pretextos e afirmações do ser. E concretizava esta sublimação existencial do homem, dizendo: No plano profissional, por ex., desde o simples empregado de escritório, catalogador de correspondência, até ao mais exímio artífice, pode coexistir o sentido artístico e o acto da criação. É que a arte não traduz apenas o conceito criativo de qualquer objecto, articulado de sons ou de reflexões, mas também o cunho pessoal, a forma individualizada, como se encara a actividade humana. E mais acrescentava: É, todavia, evidente, que esta afirmação pressupõe o gosto e o estudo pela tarefa a que cada um se dedica. O trabalhador, ou o executante, de tipo mercenário, que encara o seu labor, a sua actividade, como um mal necessário à sua existência, naturalmente, porque não consegue fazer coabitar dentro de si o que ambiciona e o que executa ou produz, não pode nunca integrar se no que agora afirmamos, pois que somente se limita a cumprir, isto é, a copiar procedimentos. Dele, seguramente, jamais resultará qualquer contributo com vista à melhoria da qualidade dos serviços ou dos produtos. Mas, em tal caso, é interessante notar que, esse mesmo ser desprovido de cuidados valorativos em relação ao que faz, se revela, quase sempre, um apaixonado de qualquer coisa, dedicando se a um "hobby", no qual investe todo o potencial criativo e perfeccionista de que é capaz. Aceite esta realidade, não admira, pois que na vulgar expressão popular "Fulano é um artista!", seja aplicada como forma enaltecedora sobre os mais singulares tipos de realizações pessoais; e que, tão pouco, neste nosso mundo contemporâneo, se tenham estabelecido técnicas psíquicas psicotécnicas como meio de avaliar a integração de um trabalhador nos sectores mais afins à sua capacidade criadora, ou se quiserem, produtiva. Tudo isto vem a propósito de Nuno Cana vez, livreiro antiquário, natural de Mirandela, que iniciou a sua profissão na Livraria Académica, da forma mais humilde de que se possa imaginar e que hoje não só preside ao seu destino, como é soberanamente reconhecido como um expert no ramo a que se dedica, o que equivale a dizer que poucos como ele estão habilitados a expender opinião sobre qualquer obra bibliográfica, do século XV à actualidade e, concomitante mente, a exibir o conhecimento profundo e erudito sobre os grandes vultos da literatura, da etnografia e historiografia portuguesas, independentemente de outros sectores mais genéricos. Obviamente, um conhecimento desta natureza jamais seria possível de alcançar se acaso Nuno Canavez não fosse um apaixonado da sua profissão, ou seja, um criador perante aquilo que superiormente o motiva. Chegado aqui, importa dizer que não estou a traçar o panegírico da pessoa em referência, pois outro é o meu objectivo, embora, pelo que se lerá, tal pareça. Assumido isto, vou ainda mais longe, para salientar o seguinte: como todos os transmon tanos, Nuno Canavez é uma personalidade intempestiva, situando se nos extremos; ora é capaz de despir a camisa para servir um amigo, como de oferecer um ou mais livros a um estudante que deles necessite e não possua dinheiro para os comprar, como de levar tudo razo à sua frente se o molestam... Também, como todos os transmon tanos, ama a sua terra, colocando a acima de todas as coisas. E para ela, se pode dizer, anda a labutar há longos anos, angariando, laboriosa e amorosamente, toda a sorte de peças literárias que lhe digam respeito. E tantas elas foram e são que, hoje, Mirandela se pode ufanar de possuir uma das maiores bibliotecas monográficas do país, razão mais do que suficiente para o núcleo de tal acervo ter sido dado o nome de Nuno Canavez. Uma coisa, porém, é doar uma biblioteca, em permanente actualização, e outra, mais rara, é inventariá la e referenciá la, segundo as normas mais exigentes da biblioteconomia ou bibliografia, deixando disso testemunho para o futuro. O que isto tem comportado de pesquisa e de labor esforçados, melhor, de paixão e de criação, se pode avaliar pelos títulos bibliográficos que tem publicado, às suas custas, desde 1986, e que são: "365 Livros Sobre Trásos Montes e Alto Douro" (1988); "Mais 145 Livros Sobre Trás-os-Montes e Alto Douro" (1992); "Subsídios para uma Bibliografia Sobre Trás-os-Montes e Alto Douro" (1994/8); e, agora, "Novos Subsídios para uma Bibliografia Sobre Trás os Montes e Alto Douro" (1998). É obra! É obra, cuidada e erudita, e que muito provavelmente se não vai condicionar a este novo título e doação, o qual descreve mais de 1.000 espécies bibliográficas! Trata se de uma edição, à semelhança dos títulos anteriores, minuciosamente anotada. para mais ilustrada com dezenas de postais antigos, nos quais se dão a conhecer facetas da vida dos habitantes dos vários concelhos. e da qual se tiraram somente 700 exemplares o que permite augurar vir a constituir uma raridade, não só por tão reduzida tiragem, mas essencialmente por constituir um valioso acervo, o mais completo do momento. indispensável aos historiadores e aos etnógrafos, capaz, inclusive, de fazer inveja a muitos destes titulares.
"Joyce e a Construção do Romance Moderno”
GDEBBI, Porto, 1979
Ramiro Teixeira


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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