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BOTELHO, Nuno Henrique Ferreira

nasceu na capital do distrito, Vila Real em 1932. De uma família de médicos com renome profissional e humanitário, escolhe diferente formação académica e, consequentemente, carreira também diferente. Obteve "distinção" no curso complementar de Letras. A sua educação universitária decorreu em Coimbra e no Porto. Mas o estudo do Direito mostrou se de natureza a estruturar lhe o espírito, a escorar a forma de apreender o mundo e as realidades humanas. Magistrado do Magistério Público do Trabalho, passa, por vontade pessoal, ao exercício de funções de dirigente (Subdelegado) na Inspecção do Trabalho Aveiro, S. João da Madeira, Setúbal, Vila Real. Numa cerimónia de posse (que a imprensa registou) enuncia os princípios definidores da sua acção, ali e sempre: "Respeito pelo Homem e pela lei; espírito de diálogo; sentido de fraternidade actuante". Designam no depois gestor dos Serviços Médico Sociais do Distrito do Porto, das mais importantes instituições públicas nacionais. Aludindo à qualidade do desempenho, a comissão sindical dos S.M.S., dirigindo se, após o "25 de Abril" (3.7.74), ao Ministro da Tutela, assevera ter "o Dr. Nuno Botelho demonstrado relevantes qualidades de carácter, honradez e extraordinária competência no cargo de vice presidente. Destituídos, no País, os corpos directivos da previdência (despacho do Ministro Mário Murteira), tal não impediu que o nomeassem, conhecida previamente a aceitação, Presidente da Caixa de Previdência de Vila Real, onde se mantém, representando o Governo, ao longo de cinco anos de turbulência revolucionária. Aguardava o, ainda, a categoria, mais elevada, de director distrital de Segurança Social. Sobre isto, a vice presidência das comissões de conciliação no distrito (a que, efectivamente presidia); o ensino secundário oficial e em estabelecimento particular; a representação da magistratura do Ministério Público junto dos Tribunais do Trabalho de Aveiro e Vila Real; as numerosas intervenções públicas (sem o recurso a qualquer apoio textual) em que afirma um pensamento expressivo de humanismo cristão radical, o espírito livremente crítico e o cepticismo político. Preferindo, talvez, à detenção de cargos políticos ou honoríficos, o valor da cidadania independente, recusou oportunidades oferecidas: o lugar de Secretário do Instituto Politécnico de Vila Real (por influência do Prof. Veiga Simão, Ministro da Educação Nacional), a candidatura a deputado pelo Partido Socialista, e, anteriormente, a indigitação como Primeiro Governador Civil de Vila Real (iniciativa do Ministro Magalhães Mota, transmitido pelo Eng. António Leite de Castro, antigo deputado e representante do Governo no Porto). É, nos dias de hoje, quadro superior do Estado. O tenente coronel José Gonçalves Monteiro (distinto homem de letras, jornalista e monógrafo) escreveu na imprensa regional: "(...) é o raro exemplo do homem fiel a uma conduta inalterável, detentor de uma inteligência iluminada que regula a expressão e os actos com a lógica das deduções racionais, sem sofismas, de uma filosofia intimamente ligada à vida; alma recta e nobre, preocupou se sempre e em tudo com a dignidade e o respeito do seu semelhante, alheio a critérios de valorização formal que os títulos e os cargos geralmente invocam no espírito vulgar das pessoas". Casou com Dona Maria Dalma Ferreira Botelho, natural de Vila Flor, filha do honrado autarca Francisco António Pereira. de memória homenageada no Largo da antiga residência. A gentileza e dignidade do seu relacionamento público merecem o carinho de muitos vila realenses. Diz admiravelmente poesia em actos de perfil cultural. Razões de saúde e procedimentos nada humanos (que cabem na democracia) de algumas entidades oficiais fizeram na afastar se de cargo de chefia na administração pública, em que deixou a marca de invulgar aptidão directiva e incomum dimensão humana. O Dr. Júlio Montalvão. Machado, nome primacial do socialismo português, referese, em documento, ao Dr. Nuno Henrique Ferreira Botelho: "Não seguimos com certeza os mesmos caminhos na política ou nas outras artes da vida, mas não recebi nunca dele o desmerecimento que desqualifica o adversário ou vulgariza o espírito de qualquer. Descendente de uma das famílias tradicionais da região, soube honrar e continuar o nome ilustre de seu Pai e acarinhar de uma forma que foi notória e comovente a velhice e doença de sua Mãe. Em período difícil da vida nacional fui Governador Civil do Distrito de Vila Real e dele recebi, como penhor de uma
amizade e a valia de um sábio interventor, a melhor das colaborações e o mais sólido dos apoios".
Liliana Gonçalves


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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