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BOTELHO, Henrique Manuel Ferreira (1845 1909)

Filho dos Senhores das Casas de Soutelo e do Condado, directamente entroncado na família de D. Afonso Botelho, o Velho, primeiro Alcaide Mor de Vila Real, "sendo os Botelhos responsáveis pela alcaidaria até 1628" (P.e Ângelo do Carmo Minhava, in "Aleo Aleo", V. Real, 1998). Depois de brilhantes estudos secundários na então vila de Fila Real, a Universidade de Coimbra, no ano de 1870, passa lhe carta de Bacharel formado em Medicina. E no próprio diploma se exara que fora "condecorado com as honras de" "Acessit" durante o seu curso, obtido com talento, estudiosidade e inescapável vocação. Iniciada de imediato a actividade clínica na terra natal, em breve tempo alcançaria nomeada como médico de rigorosa formação científica e humaníssima dedicação aos enfermos, e também o prestígio político, militando sempre no Partido Regenerador, o acompanhava. Personalidade capaz de grande e inovadora acção, formou logo, espírito aberto ao futuro, a primeira empresa para exploração das águas medicinais das Pedras Salgadas (1870), e a seguir (1871), com o capitalista Manuel Inácio Pinto Saraiva, homem empreendedor, criaria a primeira "Companhia das Águas das Pedras Salgadas", que mereceram sem demora medalhas de ouro em exposições internacionais. (Júlio A. Teixeira, "Fidalgos e Morgados de Vila Real e Seu Termo"). Administrador do Concelho, a sua vontade forte, culta, clarividente, operaria modificações radicais na área sob a sua jurisdição. O ordenamento urbano, as obras públicas, o desenvolvimento institucional, a cultura popular, a salubridade e progressivo bem estar das populações levaram no a criar, numa visão actual e necessária nos dias de hoje, serviços arrojados e de notório e relevante interesse público: a posta rural, o serviço gratuito de assistência médica e medicamentosa às classes tradicionalmente desfavorecidas, num sistema político que, como actualmente, se caracteriza por férrea centralização ("... vi todos esperarem e temerem tudo do governo central" A. Herculano); promoveu a fundação de cemitérios vários, escolas, a construção de estradas, caminhos e pontes, abrindo ao progresso povoações miseravelmente isoladas; fez nascer a biblioteca municipal; o ajardinamento da vila passa a realidade; melhora se o tecido urbano e rural. Vila Pouca ganha o movimento do século, transformase. Pode afirmar se, sem qualquer exagero que, à escala concelhia e no seu tempo, o Dr. Henrique Botelho representou o Prof. Eng. Duarte Pacheco, um dos maiores governantes de Portugal. A asserção encontra indubitável apoio, para além da assombrada imprensa da época, em Pinho Leal ("Portugal Antigo e Moderno, 11 Vol, Lx.a, 1886); "É filho dos mais beneméritos desta vila, pois a ele deve todo o seu progresso actual". Chamado para o cargo de médico director do Hospital de Vila Real (funções que manterá até ao fim da existência), aí se projectou igualmente a pujança de uma raríssima personalidade. Reorganiza o funcionamento do velho Hospital e os doentes encontram cuidados clínicos e cirúrgicos, e acolhimento humano, que ainda hoje, depois de 25 anos de democracia, constituem uma aspiração a que sucessivos governos não deram corpo. É nomeado professor de Português e Latim no Liceu e designaram no, depois de anos de frutuoso e elevado exercício, professor de Pedagogia e Didáctica da Escola de Ensino Normal, e seu director. Pedagogo notabilíssimo, de apreciação isenta, detinha um conhecimento bem organizado das doutrinas dos melhores pedagogistas nacionais e estrangeiros, sobretudo franceses (Michel Charboneau, Paulo Rousselot, Padre Girard e outros, antigos e modernos). Nunca se cingindo às estritas obrigações oficiais, organiza bibliotecas do Liceu, da Câmara Municipal e da Escola Normal. Membro proeminente do Partido Regenerador da região, elegeram no Presidente da Junta Geral do Distrito. "Neste cargo mostrou as suas belas qualidades de dirigente e de administrador. Comprou o antigo palácio dos Condes de Amarante para a instalação das repartições distritais, ao tempo a cargo daquela Junta, e ainda para o "Asilo de Artes e Ofícios" (J.A. Teixeira, obra citada). "Foi muito conhecido como médico na região de Vila Real e mais por todo o país, nas esferas eruditas, como um notável arqueólogo. Colaborou em muitas revistas da especialidade, nomeadamente "O Archeologo Português". Estudou principalmente a nossa pré história" (id., ib.). Fortunato de Almeida cita o na "História de Portugal". "São numerosíssimos os objectos de pedra e bronze que estão em Belém, (Museu Nacional de Arqueologia Doutor Leite de Vasconcelos)", com indicação de oferecidos pelo biografado. A sua biblioteca e a colecção de objectos arqueológicos e de numismática poderiam situar se no plano nacional. Em 1991, Carlos Ervedosa, distinto docente e investigador da Universidade Transmontana, e também escritor, na sua importante "Carta Arqueológica do Concelho de Vila Real, cita no texto abundantemente, na qualidade de arqueólogo e escritor, o Dr. Henrique Ferreira Botelho, e a bibliografia da "Carta Arqueológica" do malogrado investigador refere dez espécies bibliográficas do mesmo publicista. "Herói e mártir da ciência, a todos cuidando o grande médico por igual, ricos ou pobres, no hospital onde obteve os maiores prodígios assinada "O Vilarealense, na edição de 1.2.1945. Em 25.2.1909, o famoso semanário transmontano noticia a morte deste "eminente clínico e vulto político do maior prestígio". "Inteligente e estudioso, o Sr. Dr. Henrique Ferreira Botelho possuía uma grande cultura e as excepcionais faculdades que faziam dele, em qualquer cargo, uma incontestável competência". A personalidade e acção do Dr. Henrique Botelho, a sua figura de vida, o seu projecto existencial, o refinamento da sua cultura aproximam no do que seja um sage e um sábio. Falecido em Vila Real, no dia 23 de Janeiro de 1909, a vila, dorida e grata, deslocouse até ao velho cemitério de D. Dinis. Governador Civil, um batalhão do R.I. 13, comandado pelo "Major Delfim Ernesto de Magalhães, prestou as honras fúnebres a um dos maiores vultos de Trás-os-Montes, em qualquer tempo histórico. Ruas de Vila Pouca de Aguar, Pedras Salgadas, Chaves e Vila Real honram se com o fúlgido nome do Dr. Henrique Ferreira Botelho. Após o 25 de Abril foi atribuído o seu nome ilustre àEscola Preparatória de Vila Pouca de Aguiar.
Liliana Gonçalves


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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