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BOTELHO, Camilo de Barros Sousa

nasceu em Soutelinho, na Freguesia de Favaios, em 4 de Março de 1914. Seus pais, ambos professores do Ensino Primário, foram Álvaro de Sousa Botelho e Maria de Jesus Serafim de Barros. Os seus avós paternos foram Álvaro de Sousa Botelho e Ana Emília Castelo Branco, esta natural de Friume e parente do escritor Camilo Castelo Branco; os seus avós maternos foram Serafim Dias Rego e Maria de Barros, naturais de Favaios. Como curiosidade refirase que a mãe de Camilo Botelho era irmã do médico Joaquim Serafim de Barros, que foi deputado ao Parlamento da la República pelo distrito de Vila Real, e tia do Dr. Samuel Barros da Veiga, reputado advogado da Comarca de Alijó e opositor ao regime político instaurado em 28 de Maio de 1926. Em 1928, Camilo Botelho partiu de Favaios para Lisboa, onde ingressou no Instituto do Professorado Primário Português, tendo, ainda na capital, concluído o curso liceal no Liceu Gil Vicente. Matriculou se em 1936 na Faculdade de Direito de Lisboa, aqui se licenciado em 1941. No curso do liceu teve como professores Fidelino Figueiredo, Câmara Reis, Rodrigues Direito e Carvalhão Duarte, sendo este último, durante anos, o Director do Jornal República. Como condiscípulos e amigos no mesmo curso, teve, entre outros, António José Saraiva, Pedro Soares, José de Matos Santa Rita e Artur Lopes Proença. Na Faculdade, teve como colegas António dos Reis Rofrigues, que foi bispo de Madar suma, Heliodoro Caldeira, Mello Franco e Raul Ventura, tendo tido mestres da classe dos Doutires Rocha Saraiva, Paulo Cunha e Marcelo Caetano. Camilo Botelho privou e foi amigo de grandes democratas como Rodrigues Direito, Manuel Mendes e António Sérgio, tendo participado em grande número das manifestações académicas do seu tempo e, mais tarde, participado activamente nas campanhas do General Nórton de Matos, de Quintão Meireles e de Humberto Delgado. Entre muitas reuniões de opinião democrática a que assistiu destacam se as que se realizaram em casa do grande pensador António Sérgio, na Travessa dos Moinhos de Vento, em Lisboa, nas quais tomaram parte, entre outros, o Professor Mário de Azevedo Gomes, o Dr. José Domingues dos Santos e o Almirante Mendes Cabeçadas. Em 1969, Camilo Botelho foi candidato a deputado da C.D.E. pelo Círculo Eleitoral de Vila Real, em cuja campanha se em penhou a fundo, juntamente com os Drs. José Alberto Rodrigues, Júlio Montalvão Machado e Otílio de Figueiredo. Colaborou no último congresso de Aveiro da Oposição Democrática, tendo desenvolvido, em toda a sua vida, uma luta constante pela causa da Liberdade. Em 1974 filiouse no Partido Socialista, tendo desempenhado, com a proficiência e a honestidade que o caracterizavam, os seguintes cargos políticos: Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Alijó (1974). Neste período durante o qual o Dr. Camilo Botelho centrou a sua preocupação no problema habitacional do Concelho de Alijó, foi a sua acção decisiva para o arranque das obras dos bairros de Alijó, Favaios, Sanfins do Douro e Pinhão; o projecto de planeamento concelhio permitiu lhe uma visão global das necessidades reais do Concelho e a definição de políticas prioritárias no domínio do saneamento básico e do reequipamento escolar, com especial relevância para a Escola Secundária de Alijó. Durante o período em que exerceu esta actividade administrativa, sensivelmente 18 meses, fê lo gratuitamente com total dedicação, praticamente advogado. Tomou posse de Governador Civil de Vila Real cargo em 23 de Setembro de 1976, quando era Primeiro Ministro o Dr. Mário Soares, sendo então saudado apoteoticamente pelos diversos sectores da vida social, cultural e política do Distrito de Vila Real, estando também presentes as Corporações de Bombeiros Voluntários e Outras Associações do Concelho de Alijó; durante os três anos e meio em que esteve à frente do Distrito, num período particularmente conturbado da vida nacional e regional, o Dr. Camilo Botelho, "estruturalmente democrata, homem pacífico, conciliador, naturalmente sereno e generoso, desbloqueou, com lisura e transparência de processos e inteligência lúcida", algumas das mais criticas situações vividas no Distrito. Anexa se um texto do "Jornal de Noticias" de 26 Janeiro de 1980 revelador do que foi a acção do Dr. Camilo Botelho como Governador Civil de Vila Real. Complementarmente juntamos recortes de alguma imprensa tradutores da actividade e relacionamento do Dr. Camilo Botelho no período em que exerceu funções de Governador Civil de Vila Real. O elevado sentimento comunitário do Dr. Camilo Botelho levou o a empenhar se na valorização das estruturas sociais existentes na sua terra Favaios , participando activamente nas incidências da vida local, tendo desempenhado os cargos de Presidente da Direcção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Favaios, tomando a iniciativa da construção do actual quartel, tendo ocupado, por diversas vezes, o cargo de Presidente da Assembleia Geral desta Associação. O seu incondicional apoio às Corporações de Bombeiros esteve na origem da atribuição do Crachá de Ouro, a mais alta condecoração da Liga dos Bombeiros Portugueses, com a qual foi agraciado. Ainda a propósito da acentuada sensibilidade comunitária de Camilo Botelho, é de destacar o facto de, em dois momentos diferentes, ter sido ainda agraciado com a Cruz Vermelha de Mérito, a 1 de Agosto 1980, e com a Comenda da Ordem da Liberdade, a 26 de Abril de 1988, conferidas respectivamente pela Cruz Vermelha Portuguesa e pelo Presidente da República. Camilo Botelho foi um dos fundadores da Adega Cooperativa de Favaios na qual exerceu, também por diversas vezes, as funções de Presidente da Assembleia Geral e fez parte da Direcção presidida pelo Sr. Prof. Carlos Amorim, principal criador e um dos mais destacados dinamizadores da mesma Cooperativa. Fez parte do Conselho Geral do Grémio dos Vinicultores de Alijó e do Conselho Regional Agrário da Região do Douro, onde representou a Adega Cooperativa de Favaios. Como deputado municipal, destacou se na Assembleia Municipal de Alijó pela sua "postura tolerante e pela correcção e verticalidade das suas posições". Em reconhecimento do comportamento exemplar manifestado em todos os momentos em que exerceu funções municipais, foi agraciado pela Câmara Municipal de Alijó, em Abril de 1984, com a Medalha de Prata de Mérito Municipal. Reflectindo a sua actividade como advogado, transcreve se uma passagem da obra editada em sua homenagem, (página 44): "No campo profissional, exerceu com competência e honestidade o melindroso mister a advocacia, tendo patrocinado importantes causas, em várias comarcas, sendo muito considerado por colegas e magistrados, para quem usou sempre da máxima lealdade. Dedicou igual atenção aos seus constituintes, quer os de recursos mais humildes, quer aos mais privilegiados pela sorte". Interessado desde sempre pela cultura e pela arte, Camilo Botelho fez parte do Orfeão Universitário de Lisboa e do seu Grupo de Teatro, tendo mais tarde colaborado activamente com o Grupo Amador de Favaios e, após o 25 de Abril tomado a iniciativa das obras de reparação e remodelação do Teatro de Favaios. Camilo Botelho teve o prazer e a honra de receber em sua casa, em Favaios, grandes actores da cena portuguesa, nomeadamente Corina Freire, Alves da Costa, Brunilde Júdice, Augusto Figueiredo, Ribeirenho, Rogério Paulo, Canto e Castro e Rui de Carvalho. Como curiosidade, julgamos ser de salientar o que a revista "A Cooperação", n° de Março de 1963, num artigo intitulado "O teatro no Douro", da responsabilidade do poeta Dr. António Cabral, diz: "Uma menção especial para o Dr. Camilo Botelho: O Douro precisa de homens que assim trabalhem em prol do Teatro. Encenar numa aldeia, com periodicidade e sem desânimos, não é das coisas mais fáceis". "Cidadão impoluto e de mãos limpas que nunca se serviu da política", Camilo Botelho serviu sempre desinteressadamente a democracia e o País, seu único e principal objectivo. Depois do desempenho do cargo de Governador Civil, cerca de três anos e meio, durante o qual interrompeu toda a sua actividade profissional, o que lhe custou enormes prejuízos materiais, declinou, por um lado, o lugar de Director de Segurança Social que a Comissão Distrital da Aliança Democrática lhe ofereceu, e, por outro, o de Administrador de Saúde, oferecido pela Federação Distrital do Partido Socialista, retomando a sua profissão de advogado já cerca dos 70 anos. Revelando a imagem que o Dr. Camilo Botelho projectava no seu relacionamento público, remetemos para as páginas finais da obra já mencionada.
C. de A.


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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