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BIEL, Emílio

nasceu na Baviera, em 1838. Também conhecido por Karl Emil Biel, deu um grande contributo para a importância de Vila Real, entre os finais do séc. passado e começos do séc. XX. Vitor Nogueira apresentou na tertúlia História ao Café, em 21 de Setembro de 1998, um apontamento sobre "Flagrantes de um Povo". E escreveu a biografia de Emílio Biel, por estas palavras textuais: "Ele ficou sobretudo ligado à iluminação eléctrica das ruas da então vila. Mas essa história começou antes dele. Começou com um outro pioneiro, Leopoldo Augusto das Neves, um grande homem de negócios que, em 1890, apresenta à Câmara Municipal proposta para iluminação pública com energia eléctrica gerada hidraulicamente coisa de que nenhuma terra da província dispunha ainda, àépoca. A Câmara deixa se seduzir pela ideia e em 26 de Junho desse ano celebra se o contrato, válido por 30 anos e com a obrigação de ter a iluminação a funcionar em 1 de Janeiro de 1892. Mas levantaram se algumas dificuldades que iriam retardar o momento da inauguração. Foram adquiridas máquinas à empresa Sshuckert, de Nuremberga, representada no Porto por Emílio Biel, que se deslocou a Vila Real em 1892, acompanhado de um engenheiro da empresa e de um fotógrafo, tendo tirado algumas fotografias do local onde se instalaria a unidade de produção de energia, no Agueirinho. A Companhia Eléctrica e Industrial de Vila Real assim se chamava a empresa de Leopoldo Augusto das Neves não paga as máquinas adquiridas à firma alemã. Numa assembleia de sócios crucial, realizada em 24 de Abril de 1893, perspectivam se duas possibilidades. Leopoldo Augusto das Neves tenta manter a empresa, através de um aumento de capital; Emílio Biel faz saber que está disposto a comprá la. Acaba por se concretizar a venda a Biel, por 5.250$00. A Câmara Municipal aceita a mudança. Biel dá finalmente corpo à iluminação eléctrica. Feitas algumas experiências preliminares, a luz é inaugurada oficialmente em 13 de Junho de 1894, em plenas festas da vila. Mas logo se dá conta, pelos cortes sistemáticos no fornecimento, motivados pelos fracos caudais do Corgo, que a presa de água está mal situada, havendo quem defendesse que devia ser antes a jusante da confluência do Corgo e do Cabril, para aproveitar também a água deste afluente. Estabelecese um conflito de tipo círculo vicioso: a empresa não fornece energia, a Câmara aplica multas, a empresa não paga as multas, a Câmara não paga a electricidade... Lançando achas para a fogueira, Leopol do Augusto das Neves escreve em 1906 um opúsculo de 16 páginas, dando a sua versão da história. A empresa responde com comunicados na imprensa. Só mais tarde, e num outro contexto, com a nova central do Terragido, a situação se normalizará. Sobre a instalação da energia eléctrica em Vila Real, há uma importante publicação da autoria de Luís Cabral Teixeira de Morais, de 1897, ilustrada com fotografias da central e uma planta da rede eléctrica da vila desenhada pelo Eng.° Maujon. Biel, nunca abandonará de todo, até à sua morte em 1915, a sua relação com Vila Real. Em 1895, rebenta uma polémica a propósito do corte de pedra das escarpas do Corgo para construção da ponte mista. Biel reivindica a posse daqueles terrenos, mas, tendo feito valer a sua tese, autoriza generosamente a continuação do corte de pedra. Em certa ocasião, estimulado pela existência de grande número de amieiros nas margens do Corgo, propõe se criar uma fábrica de carrinhos de linhas, para fornecer à empresa britânica de fiação Clark, e chega a anunciar na imprensa que no escritório da sua empresa, na Travessa de S. Paulo (actual rua Avelino Patena), se recebiam inscrições de pessoas dispostas a vender madeira de amieiro. Biel foi também grande fotógrafo e editor. Da sua colaboração com Manuel Monteiro surgiram algumas obras que são hoje verdadeiros clássicos no género, como "A Arte e a Natureza em Portugal" (1901/1908) e "O Douro" (1911). Existem inúme ros vestígios desta actividade de Emílio Biel sobre Vila Real. Refira se, finalmente, que pela relevância económica e social que atingiu, Emílio Biel era frequentemente solicitado a dar contributos a várias instituições de beneficiência da vila".
Vitor Nogueira


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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