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BARRIGAS, Aureliano de Almeida

nasceu em Vila Real nos primeiros anos da década de 90 do século passado e aqui faleceu em 1948, com 55 anos de idade. Era filho do cirurgião militar do Regimento de Infantaria 13, Dr. Manuel Lopes Barrigas e neto de um abastado proprietário, financeiro e administrador de fundos, chamado Joaquim de Almeida e Silva. No ano lectivo de 1905/6 matriculou se na Escola de Desenho Industrial D. Luiz I, onde foi aluno de Nuno de Novais Júnior, Ângelo Coelho de Magalhães Vidal e do pintor Bernardino Raul Trindade Chagas, e onde se revelou desde logo um aluno distinto. Mais tarde virá a ser um grande desenhador, ilustrador, capista, cartazista e também caricaturista, talentos estes que esbanjou generosamente, sempre em prol da comunidade em que nasceu e viveu praticamente toda a sua vida. Dispondo de meios de fortuna avultados, Aureliano Barrigas pôde dedicar se àquilo de que verdadeiramente gostava e praticar os talentos com que nasceu. Viveu conforme ao espírito da época que, sobretudo nos anos 20 e 30, se voltava para as actividades desportivas. Destas elegeu o desporto mecânico como seu preferido, embora não desdenhasse o futebol. Foi também fotógrafo amador de certo mérito. Se porventura tivesse desenvolvido mais a aprendizagem de belas artes e cultivado relações assíduas com artistas, poderia ter sido um nome cimeiro do nosso panorama artístico. Alguns dos seus cartazes são peças belíssimas, como os que fez para a inauguração do Campo do Calvário e para as corridas de automóveis nos anos 30. Mas a verdade éque viveu sempre em Vila Real, à excepção de algumas temporadas passadas na Foz do Douro, onde tinha casa, que decerto lhe terão possibilitado alguns contactos com artistas portuenses, sem que isso significasse nunca um corte com a sua terra. Podemos defini lo, em termos artísticos, como um modernista da primeira geração a que o próprio isolamento de Vila Real coarctou as magníficas potencialidades com que nasceu. Uma das suas aptidões foi pois a caricatura. Mostrou trabalhos seus, nesta disciplina artística, numa sala própria, durante o 1 Congresso Transmontano, realizado em Vila Real entre 7 e 16 de Setembro de 1920. A peça mostrada hoje é um grande retalho de papel, com as dimensões de 4 por 0,75 metros, que mostra um trecho da Avenida carvalho Araújo (mais exactamente, a casa dos Marqueses de Vila Real) a servir de fundo a um grupo de figuras de grande projecção local, nos anos 20, de que é possível reconhecer algumas. Assim, o Exército está representado pelo Major António Fernandes Varão e pelo Capitão António Manuel da Mota e Costa. A Autoridade (GNR) pelo Alferes Domingos Vaz Júnior. As Obras Públicas pelos Eng.s Filipe Correia de Mesquita Borges Júnior, José Manuel Borges Júnior e Emílio de Sousa Botelho e por Frederico Monteiro da Rocha Peixoto. A Administração do Concelho, por uma figura hoje dificilmente identificável. Albano Fernandes representa a Caixa Geral de Depósitos, o Dr. Pedro Maria da Cunha Serra representa o Liceu e o Dr. Sebastião Augusto Ribeiro a Escola Normal. A actividade farmacêutica está presente através de Olindo Gomes Ferreira e a Cirurgia através do Dr. Henrique Ferreira Botelho. Muitas das figuras ostentam objectos próprios da profissão, que ajudam a caracterizá las. Assim o Dr. Henrique Botelho, por exemplo, traz um fórceps e um equívoco coração e Albano Fernandes, que tinha funções de prestamista na Caixa Geral de Depósitos, exibe maliciosamente um prego... Mas Aureliano Barrigas ganhou também um lugar na memória e na gratidão de Vila Real pelo seu papel na criação e afirmação do Circuito Automóvel. Interessadíssimo em questões de mecânica, mantinha relações de amizade com os representantes das grandes marcas de automóveis em Vila Real, nomeadamente o Eng.° Emílio Botelho, da Chevrolet, e Luís Taboada, da Ford. Escreveu mesmo (e ilustrou a capa e o texto) dois livros sobre mecânica: "Como tratar o meu automóvel (1926)" e "A inflamação eléctrica por magneto ou bateria, nos automóveis (1928". Nos anos 10 e 20 promoveu algumas cor ridas de motos, assim como gincanas e exposições de carros, numa actividade que viria a desembocar em 1931 nas primeiras corridas de automóveis, realizadas em 15 de Junho, integradas nas Festas da Cidade, e em cuja organização Aureliano Barrigas participou, juntamente com os representantes locais da Chevrolet, Ford, Fiat e Citroen, e ainda com o Automóvel Clube de Portugal, que se ocupou dos aspectos técnicos e que, finalmente, atribuiu nota máxima ao evento, considerando que estavam reunidas condições para a realização de um grande prémio anual. O traçado foi o seguinte: partida da Avenida Almeida Lucena, Entroncamento da Timpeira, Mateus, Estação do Caminho deferro, Avenida Almeida Lucena, perfazendo 7.150 metros, que deviam ser percorridos vinte vezes (ou seja, um total de 143 km) num tempo máximo de três horas e meia. Participaram nele uma dezena de automóveis. A Casa do Caminho de Baixo, hoje Museu de Vila real, que havia sido adquirida em 1890 por seu avô Joaquim de Almeida e Silva, era então pertença de Aureliano Barrigas, que a colocava de bom grado à disposição dos corredores que assim o desejassem, para nela fazerem a preparação dos seus bólides para as provas a disputar. A Casa esteve na posse da família e herdeiros de Aureliano Barrigas entre 1890 e 1977.
Elísio Amaral Neves, in História ao Café, 29 9 1998


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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