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Transmontanos e Durienses +

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ARAÚJO, José Botelho de Carvalho

em 13 10 1998 foi apresentada no Museu de Vila Real, por Elísio Amaral Neves, uma comunicação integrada no ciclo História ao Café que a seguir se reproduz: "É mais um exemplo de vila realense ilustre que não nasceu em Vila Real. Mas o seu nascimento no Porto, freguesia de São Nicolau, em 18 de Maio de 1881, foi um acidente. Os pais tinham se deslocado ao Porto para visitar a avó materna, que se encontrava gravemente doente, e o parto não pode esperar. Carvalho Araújo viveu os dois primeiros meses no Porto, após o que regressou a Vila Real, onde os pais viviam. Aqui passou uma infância normal, igual àde tantas outras crianças. Mas, quando chega a altura de optar por uma carreira, faz os preparatórios para a Escola Naval, na Academia Politécnica do Porto, entre 1897 e 1899. Incorpora se na Marinha neste último ano e começa aí uma brilhante carreira militar. Casa em 13 de Janeiro de 1906 com Dona Ester Ferreira de Abreu, sua parente afastada. Celebrou o casamento o padre Filipe Correia de Mesquita Borges. A cerimónia teve lugar às cinco da manhã, decerto por aversão do noivo à notoriedade. No assento de casamento, figura a indicação, algo insólita, de que Carvalho Araújo é "morador desde tenra idade, nesta Vila Real". Qual a intenção desta indicação? Possivelmente surge a pedido de Carvalho Araújo, que desejaria dessa forma afirmar a sua condição de vila realense, já que, pelo nascimento, era de facto portuense. A sua vida gravita em torno de alguns pólos fundamentais. Desde logo Vila Real, que não esquecerá nunca. Depois, a família, a que o unem laços de amor quase possessivo. Também os ideais republicanos, que de fendeu através da sua acção política e tribunícia. Enfim, o mar, que foi a sua profissão. Ao longo da sua carreira, Carvalho Araújo foi encarregado de diversas missões e prestou serviço em diversos navios. Como comandante, nos caça minas "Manuel de Azevedo Gomes" e "Augusto de Castilho", em cuja ponte viria a morrer. Antes disso, tinha servido a bordo dos cruzadores "Almirante Reis", "Vasco da Gama", "Adamastor" e "República", da corveta "Duque da Terceira": das canhoneiras "Zambeze", "Diu" e "Lúrio"; e do recobador "Bérrio". Encontra forma de partilhar as suas viagens com a família, através de um meio que então dava os primeiros passos: o postal ilustrado. Envia postais de todas as terras por onde passa, por todos os paquetes. Esses postais são por vezes muito lacónicos, sendo a mensagem apenas um pretexto para enriquecer a colecção que, juntamente Dona Ester Ferreira de Abreu, então ainda noiva, vai fazendo. Quando se encontrava na costa oriental de África, a bordo do "Adamastor", em finais de 1903, teve o prazer de receber os primeiros postais editados em Vila Real, com motivos vilarealenses, o que lhe deve ter causado uma emoção facilmente imaginável. Regressado a Lisboa após uma missão como Governador do Distrito de Inhambane, em Moçambique, é colocado no comando de "Augusto de Castilho", com a missão de patrulhar as carreiras dos paquetes entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores. No âmbito dessa missão, cabe lhe comboiar o "São Miguel", entre o Funchal e Ponta Delgada. Estava se em Outubro de 1918, na parte final da guerra, a Alemanha, praticamente derrotada. tinha já mesmo pedido o armestício, que todavia só vem ocorrer em 11 de Novembro desse ano. Num postal escrito a sua mulher em 11 de Outubro o último que escreveria , Carvalho Araújo informa de que à chegada à Madeira tinha tido mar grosso e que, obrigado a uma quarentena de 10 dias, preferiu seguir logo para os Açores, escoltando o navio de passageiros. Espera poder, dentro de 15 dias, regressar à Madeira, e depois a Lisboa. Não regressou. Na madrugada de 14 de Outubro, surge o submarino alemão "U 139", que ataca o "São Miguel". O combate é desigual e Carvalho Araújo morre ao comando do seu caça minas. A sua heroicidade é considerada o maior feito da nossa participação na Grande Guerra. A União Artística VilaRealense, interpretando o sentimento local e nacional, toma a iniciativa de propor àCâmara Municipal, logo em 1919. a atribuição do nome do marinheiro à então Avenida Municipal. Dela parte também a iniciativa da construção de um monumento, o qual veio a erigir se em Vila Real. ultrapassada uma certa rivalidade do Porto, por subscrição pública nacional. O postal de 11 de Outubro por coincidência. o dia em que nasceu o seu sétimo filho deve ter chegado a Dona Ester Carvalho Araújo já depois da tragédia. embora ainda antes da confirmação da notícia. De toda a maneira, a viúva de Car\ alho Araújo dirá, em entrevista posterior. cinquenta anos depois, que a notícia lhe foi sendo ocultada e que só veio a ser confrontada com a verdade terrível. por sua iniciativa, pela leitura do "Diário de Notícias" que mandara comprar».
Elísio Amaral Neves


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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