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Transmontanos e Durienses +

A


ALBA, Sebastião

nasceu em Braga, em 11.3.1940. Aí morreu atropelado na Rodovia, junto à Bracalándia. em meados de Outubro do ano dois mil. Antes de morrer deixara inscrito: "se encontrarem morto o teu irmão Dinis". o espólio é fácil de verificar: dois sapatos. a roupa sobre o corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá. Foi sepultado em Torre de D. Chama, concelho de Mirandela, de onde seus pais: Albano e Sebastiana eram naturais. Por isso lhes copiou os nomes para pseudónimo: Sebastião Alba. Cedo foi para Moçambique, onde aderiu à Frelimo, fazendo se guerreIheiro. Mas cedo ficou desiludido. Foi jornalista e chegou a estar preso. Também foi poeta e em 1997 ganhou um prémio no valor de 500 contos que não quis receber, mandando as filhas recebê lo. Deixou vários Livros e conviveu com alguns dos mais sonantes escritores da sua geração. Um deles foi Virgílio Alberto Vieira que na edição de Jl, de 1.11.2000, assinou duas páginas sobre este poeta de sangue Transmontano. Por ser um testemunho vivo reproduzimos o essencial do texto de Virgílio Alberto Vieira: "Movo me nos bastidores da poesia/ e coro se de leve a escuto./ Mas o pão de cada dia/ à noite está consumido,/ e a alvorada seguinte/ banha as suas escórias./ Palco só o da minha morte/ se no leito!/ com seu asseio sem derrame.../ O lado para que durmo/ é um limite diáfano:/ aí versos espigam./ Isso me basta. Acordo/ antes que a seara amadureça/ e na extensão pairem,/ de Van Gogh, os corvos". Poema de Sebastião Alba que morreu em Braga, no domingo, 15 de Outubro, de manhã muito cedo, parece que atropelado por uma motorizada que se pôs em fuga e depois de ter estado a beber uns copos com um amigo no bar da CP Sebastião Alba (de seu nome verdadeiro Dinis Carneiro Gonçalves), tinha 60 anos, 35 deles vividos em Moçambique, para onde foi com apenas oito. Aí trabalhou e publicou os seus primeiros poemas e livros: Poesias (Quelimane . 1965, que depois rejetou) e O Ritmo do Presságio (Maputo, 1974), este reeditado em 1981. em Lisboa. pelas Edições 70, que no ano seguinte também publicaram "A noite dividida". Os poemas destes dois livros, mais um livro inédito. O limite diáfano (título dado pelo poema atrás transcrito), foram reunidos no volume A noite dividida, editado pela Assírio & Alvin em 1996, por iniciativa de Herberto Helder...0 que quer dizer muito. Em Moçambique, o poeta foi desertor do Exército português, esteve ligado à Frelimo, foi preso, versos seus saíram na revista Caliban, dirigida por João Pedro Grabato Dias (António Quadros) e Rui Knopfli. Já depois da independência frequentou um curso de formação da Frelino e chegou a ser nomeado administrador da província da Zambézia, além de dar aulas de formação politica. Mas o poeta, que José Craveirinha qualificou como "um dos grandiosos deuses humildes da palavra", foi se desiludindo com a evolução da situação politica e da Frelimo, e em 1983 regressou, com a mulher e as duas filhas, à sua terra natal, Braga. Viria a mudar se, mais tarde, para Lisboa (Miratejo), mas por pouco tempo, pois em 1988 regressa à capital minhota. Separa se, bebe muito, passa a viver em quartos de aluguer e a procurar sucessivos empregos, faz tentativas de desintoxicação. A partir de 1994 e citamos a completa cronologia elaborada por Vergílio Alberto Vieira para o livro a editar pela Campo das Letras, que aqui seguimos de perto "refugia se cada vez mais no alcool e no tabaco". Vai levando uma vida cada vez mais à margem, morrem lhe os pais, o alcoolismo não impede de preparar e publicar aqueles novos poemas, amigos seus (em Braga, entre outros, e além de VAV, José Manuel Mendes, de que em próxima edição publicaremos um texto inédito sobre o poeta) pedem para ele um subsidio do Ministério da Cultura, que é concedido. E, em 1997, é lhe atribuído o Prémio de Poesia Imobiliária Teixeira & Filhos, daquela cidade, por um júri presidido por Vítor Aguiar e Silva. Desde há anos Sebastião Alba vivia como um vagabundo o que nos anos 60 se chamaria um "Clochard". Em Outubro de 1996, após a edição de A noite dividida, escrevia na Visão Afonso Praça: "Um dia chateou se com tudo e optou por viver sob um texto de estrelas. em parte incerta"(...) dormindo onde calha. num banco de jardim, debaixo do alpendre de uma capela. De seu tem alguma roupa, um pequeno rádio sempre sintonizado na Antena 2, uma gaita de beiços e pouco mais. Gosta de Natália Correia, Nemésio e Pessoa. Emociona se quando fala de Herberto Helder". E foi assim que a morte o surpreendeu. Já não verá o livro que a editora de Jorge Arújo vai lançar ainda neste mês de Novembro mas, como se disse, reviu as primeiras provas.
O livro, anota VAV, reúne 71 poemas, 16 do seu primeiro livro, 24 do segundo e os 30 do último, além do inédito que aqui publicamos e que, como também já se referiu, dá o título ao volume.
Virgílio Alberto Vieira


In ii volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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