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Transmontanos e Durienses +

V


VINHAS, Domingos Bernardo Martins

nasceu em Ifanes, concelho de Miranda do Douro, em 24.2.1884. faleceu em Bragança, em 30.12.1960. Foi professor das Escolas Primárias Superiores de Bragança. Também foi notável cinzelador e entalhador. Foi ele que executou os (162) desenhos das pedras de armas que ilustram o tomo VI das Memórias do Abade de Baça]. Foi professor em Deilão e em Bragança, do ensino primário normal. Em Moncorvo foi inspector escolar. Colaborou em diversos jornais: Pátria Nova, Notícias de Bragança, O Bragançano, Terras de Bragança, O Leste Transmontano, Educação Nacional, Instrução, O Ensino do Povo, O Jornal da Mulher, A Pátria. Tivemos a sorte de, através de Hemâni de Castro Lopo, obter do filho de Domingos B. M. Vinhas, uma nota mais desenvolvida. Aqui deixamos esse relato do filho: Júlio dos Santos linhas (de 5.10.1996). "Aos onze meses ficou órfão e aos nove anos já angariava o seu sustento, como Marçano em Chaves. Aos dez anos acompanhou sua mãe e padrasto para residir na cidade do Porto, onde este era Chefe de Alfândega, mas optou por se colocar como empregado comercial no "Bazar dos Três Vintens", rejeitando o sustento "paternal" que lhe foi oferecido, tão somente porque o seu espírito de independência lhe impunha!... Aos catorze anos, havendo, o Estado Monárquico de então, aberto "concurso para bolseiros", concorreu e após exame, entrou na Escola Normal do Porto, na qual obteve o Diploma de professor, em 1902, havendo anteriormente concluido o curso da Escola Industrial e Comercial da mesma cidade . Seguidamente regressou a Bragança, porque seu Padrasto pediu a transferência para a Chefia da Alfândega da Quintanilha, razão porque aqui passou a exercer o Magistério primário, havendo se distinguido como educador, como Pedagogo e Erudito, quer quanto à Cultura, quer quanto à verdadeira função do professor, na recuperação de alunos com idades próximas da sua, auxiliando se, moral e materialmente, de forma tal que evitou que ficassem simples carvoeiros e os levou a serem válidos professores, Oficiais do Exército, etc. Notabilizou se também como sincero e convicto democrata, como um dos primeiros "voluntários da República", havendo combatido as incursões Monárquicas de Paiva Couceiro, chefiando Brigadas Bragança Vimioso Miranda do Douro e salvando as vidas de inúmeros!... Foi "preso" em 1918, conjuntamente com os seus companheiros de Ideal (Dr. Henrique Paz. Antero Navarro, Basto Pereira, Augusto Ladeiro, Miguel Costa, Joaquim Pinto. Álvaro Carneiro, Alfredo Videira, Dr. Olímpio Dias e António Teixeira) , prisões estas. em situação de incomunicáveis, e efectuadas por "Ordem da Autoridade Militar". Foi professor do "Curso Comercial" (horário nocturno) regendo as disciplinas de: Português, Tecnologia Comercial. Escrituração Comercial e Caligrafia. Destacado em serviço de Inspecção, para a cidade do Porto, ali veio a sofrer grandes desgostos, logo de início e posteriormente aquando da Revolução de 1926, com o abate dos seus correligionários assassinados de forma bárbara. Como não se deixasse comprar .... foi suspenso das suas funções, mas não ficou inactivo, pois que em casa, afogando os seus desgostos, construiu a sua mobília de escritório, ainda hoje impecável. Mais tarde, como professor da Escola Primária Superior e após a sua extinção, por haver originado e regido "Cursos de Trabalhos Manuais (pinturas a óleo e aguarelas. fundição e moldagens em gesso, trabalhos em cobre e estanho, em talha, etc.) a título gratuito, ministrado a "quarenta e oito professores", foi lhe dado público testemunho de louvor, pelo então ministro do actual Governo Duarte Pacheco, em 22 de Agosto de 1928 (portaria publicada no Diário do Governo da República, n.° 198 II Série de Agosto de 1928), muito embora continuasse a ser fiel ao seu ideal democrático e tão somente porque a sua impoluta e digna personalidade, sob todos os aspectos, impunha o respeito de todos os que o conheciam pelos seus altruistas actos e obras. Foi dilecto colaborador e amigo do inesquecível "Abade de Baçal " , o grande Arqueólogo Francisco Manuel Alves Reitor de Baçal e como em seu público testemunho o expressa nas suas "Memórias Arqueológicas e Históricas", no tomo VII Os Notáveis página 595. Em 1957, já gasto e doente, em cerimónia pública efectuada na Câmara Municipal de Bragança, foi rejubilado e condecorado, com a imposição das insígnias ou colar de Cavaleiro da Ordem e da Instrução; na mesma data em que foi também rejubilada a professora D. Maria Hermelinda Ferreira, como Poetisa. Sempre devotado ao bem comum, não podendo estar inactivo durante o período de férias, criava cursos de aprendizagem para jovens e adultos, de pintura, pirogravura, trabalhos em metais, a título gratuito e, por vezes, ainda fornecia as telas e as paletas que eram de seu fabrico, muito embora o Estado lhe pagasse um vencimento de miséria e como era usual! ...Foi projectista de belos edifícios, de arquitectura genuinamente portuguesa, obras que, infelizmente, vão sendo demolidas e substituídas por mamarrachos! Sem se intitular Pintor, elaborou inúmeras obras de arte, a óleo, aguarela, em cobre, latão, madeira e gesso".


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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