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RODRIGUES, Bento José

nasceu em Pereira. . widagos, concelho de Mirandela, em 1 1.5.1842. Faleceu em S. Carlos do Pinhal. no Estado de S. Paulo (Brasil), em 9.4.1922. Foi religioso da Companhia de Jesus. pregador e escritor. Fez os primeiros estudos numa escola particular, por a freguesia carecer de escola oficial. Andando já nos 16 anos foi frequentar um pequeno colégio chamado de Nossa Senhora da Pena, que existiu algum tempo em Mouçós junto a Vila Real. dirigido pelo virtuoso egresso franciscano varatojano Frei António de Nossa Senhora da Soledade. Esteve nele nove meses. Transferido o colégio para o convento de Barrô (concelho de Resende), estudou latim e latinidade em Mirandela; e por doença do mestre régio dessa vila continuou os na vizinha freguesia de Passos, de Janeiro até ao Verão de 1860. Em 7.12. desse ano entrou no noviciado de N.a S.a dos Anjos no Barro (Torres Vedras) e em Julho do ano seguinte foi transferido para o Seminário das Missões de Cernache do Bonjardim, onde fez os primeiros votos a 8.7.1862. A profissão solene fê la em 19.3.1878 no colégio de Campolide (Lisboa). No Verão de 1863 partiu para Roma e na Universidade Gregoriana cursou Filosofia com muita distinção. Voltando a Portugal ensinou Filosofia. Língua Latina e História Universal nos colégios de Campolide e S. Fiel. Em 1870 começou o estudo da Teologia no Seminário Central de Salamanca (Espanha). Terminou o em Poyanne (Landes, França). Aí celebrou a sua primeira missa aos 9.9.1873. No ano seguinte, depois de ter defendido conclusões magnas de toda a Filosofia e Teologia, regressou a Portugal, começando logo a desempenhar cargos do maior relevo que o tornaram figura proeminente da Companhia de Jesus restaurada em Portugal: superior e vice reitor do colégio de S. Francisco de Setúbal (1876 1881); vice reitor e mestre dos noviços no colégio do Barro (1881 1887); superior da residência de Guimarães (1891), à qual no ano seguinte se ajuntou uma escola preparatória de vocações religiosas e mais tarde um colégio de alunos, que dirigiu até 1904; superior da residência de Lisboa ao Quelhas (1908 1910). Em 1883 representou a província portuguesa em Roma, na Congregação Geral XXIII, que se realizou em 16.9 a 23.10. Com estas ocupações ajuntava um intenso trabalho de renovação de vida religiosa de Portugal, por meio de tríduos, novenas e missões e sobretudo pela direcção do Apostolado da Oração, na qual sucedeu ao benemérito padre Luís Prosperi (v.) em 1.10.1887. Durante a sua gerência ocorreu o 50.° aniversário da fundação da A.O. (1844 1894), que em Portugal se celebrou com grandes solenidades. Entre elas sobressaiu a grandiosa peregrinação nacional ao Monte Sameiro (Braga), na qual tomaram parte mais de 150.000 pessoas. Nessa ocasião pregou um eloquente sermão que depois se imprimiu. O remate das festas jubilares veio com a imponentíssima procissão do Coração de Jesus, celebrada a 29.6 em Lisboa, da igreja da Sé para a basílica da Estrela. Dois anos depois ocorria o 25.° ano da instituição do A.O . em Portugal (1871 1896). Com o intuito de preparar celebração condigna, dirigiu se ao núncio de Sua Santidade, D. Domingos Giacobini, e aos prelados do continente e do ultramar, dos quais recebeu as mais alentadoras respostas, que se coligiram em folheto. Solenidades especiais comemorativas não se celebraram. Se alguns planos tinha, desfizeramse com a entrada em vigor dos novos estatutos do A.O. aprovados por Leão XIII, que aboliam o cargo de director central, no qual cessou em 11.7.1896. Nos últimos anos antes de 1910 era director diocesano em Braga, Bragança, Porto, Lamego, Viseu, Guarda, Coimbra, Lisboa, Beja, Faro e Funchal, e desde Outubro de 1909 tinha também a direcção do "Mensageiro do Coração de Jesus", órgão do A.O.. A sua actividade foi interrompida violentamente pelos sucessos de Outubro de 1910, que o obrigaram a deixar Portugal. Preso com os demais religiosos da residência de Lisboa ao Quelhas em 6.10, foi com eles levado aos calabouços do Governo Civil (calabouço, n.° 8) e aí ficaram incomunicáveis. Dia 12 foram transferidos para o Limoeiro, onde chegaram a juntar se 39 religiosos presos (33 jesuítas, 5 lazaristas e 1 franciscano). A 25 embarcou para o Rio de Janeiro a bordo do vapor "Orissa", com o padre António de Freitas Coutinho. Mas ao chegarem à capital do Brasil encontraram se ainda os reflexos da perseguição sofrida na pátria; a polícia informou os que por ordem do governo não podiam desembarcar e deviam seguir viagem. Tinha já tomado bilhetes no mesmo vapor para Buenos Aires e dispunhamse a partir, quando na tarde do mesmo dia puderam saltar em terra e acolher se ao colégio de S. Clemente. Amigos dos religiosos expulsos tinham se posto em movimento e a licença de desembarque foi concedida sob condição de disfarce e segredo. A entrada dos dois passageiros do "Orissa" na baía de Guanabara e as dificuldades que lhes foram opostas influíram calor aos defensores da liberdade religiosa, e a 12.11.1910 o Supremo Tribunal Federal concedia, a requerimento dos deputados José Valois de Castro e Pedro Moacyr o habeas corpus "em favor dos sacerdotes jesuítas B.J. Rodrigues e António F. dos Coutinhos (sic!)... a fim de que possam os pacientes entrar no território nacional e aí residir" (Acórdão n.° 2972). Depois de algumas semanas de permanência em S. Paulo, partiu, em princípios de 1911, para S. Carlos do Pinhal, progressiva cidade do mesmo estado paulista, a pedido do prelado dessa diocese D. José Marcondes Homem de Melo. Nela fundou uma residência de jesuítas portugueses, dotando a com um magnífico edifício todo levantado de raiz para residência e casa de exercícios, que dirigiu até 23.5.1920. Apesar da idade avançada (tinha perto de 70 anos), além dos ministérios na cidade, tomou a direcção diocesana do Apostolado da Oração a que imprimiu notável desenvolvimento, e durante vários anos colaborou assiduamente no seminário diocesano S. Carlos, com oportunos e muito apreciados artigos sobre questões de actualidade religiosa, que depois reuniu em volume, com o título Espiritismo e Maçonaria, Vale Mecum de eficaz antídoto anti spirita e anti maçónico, S. Paulo, 1913, e que completou com o Catecismo anti spirita, por outra o obstinado spirita amarrado ao pelourinho, S. Carlos, 1918. Outras publicações: Sermão pregado no Monte Sameiro por ocasião do 50. ° aniversário do Apostolado da Oração pelo director Central do mesmo Apostolado, Braga, 1894, tendo apenas uma memória sobre O Apostolado da Oração e Liga do Sagrado Coração de Jesus, apresentada a rogo do autor no Congresso Católico de Braga (1891) pelo Revm. ° P. Manuel Martins de Aguiar; O Episcopado Português e o Apostolado da Oração Associação do SS. Coração de Jesus e da Comunhão Reparadora por ocasião do 25. ° aniversário da sua instituição em Portugal com um apelo do director central aos devotos do Sagrado Coração de Jesus, Guimarães, 1896; A Bíblia e a questão vital, Porto, 1902; Discussão plácida Que tem que ver a religião com a política?, Lisboa, 1909; Religião e Política Instruções pontifícias acerca do voto eleitoral, S. Carlos, 1915; A Questão vital ou regresso da sociedade para Deus e sua estabilidade futura, S. Carlos, 1919. No Mensageiro do Coração de Jesus, t. VI (1879 1880) pp. 140 143, apareceu uma carta sua narrando os progressos do A.O., em Setúbal, em 1879; no Novo Mensageiro, IX (1889, 1890), PP. 489 496, publicou um sentido necrológico de seus pais: Amigos do Coração de Jesus Pais de família modelo: Timóteo Rodrigues e Engrácia Lopes Pires; na colecção dos jesuítas franceses da Província de Tolosa, Lettres d'Uclés, 1888, pp. 139 143 e 1890 1891, pp. 128 131 imprimiram se Extraits de quelques lettres du PB. Rodrigues, dirigidas ao padre Luís Gonzaga Cabral (v).
G.E.P.B.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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