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PEREIRA, Domingos

nasceu em Vilarinho, do concelho de Montalegre, em 9.8.1862. Faleceu no lugar da Raposeira, concelho de Cabeceiras de Basto (numa casa que hoje pertence a Carlos Fraga Lopes Pereira), em 25.11.1945. Sobre ele assim se pronuncia a G.E.P.B. (vol. 21): Depois de se ter ordenado no Seminário de Braga, com 24 anos de idade, foi nomeado pároco da freg. do Outeiro> no conc. de Cabeceiras de Basto, onde exerceu o sacerdócio durante mais de 13 anos. Depois da sua ordenação filiou se no Partido Regenerador, contra a vontade de seu tio, o padre João Albino Gonçalves Carreira, abade de Refojos, pessoa de evidência no Partido Progressista. No ano de 1900, durante uma campanha eleitoral renhida, foi chamado à presença do arcebispo de Braga, que procurou forçálo a apoiar os progressistas com a ameaça de ser transferido para a paróquia de Lamares, no bispado de Vila Real. O padre Domingos preferiu entregar nas mãos do arcebispo o mandato sobre a paróquia. Continuou a residir na freg. do Outeiro e a manter fidelidade ao seu credo político, sem deixar de cumprir com igual zelo as suas obrigações espirituais de católico. A sua actividade política granjeou valiosa influência política para os regeneradores, não só no cone de Cabeceiras de Basto como em todo o dist. de Braga. Entretanto, exercia o lugar de professor de Português, Latim, Geografia e História no liceu municipal na sede do concelho. Este liceu foi extinto pela reforma do ensino promulgada em 1908. Sempre que os regeneradores se encontravam no poder, era nomeado administrador do seu concelho. Uma vez foi nomeado para igual cargo no concelho de Fafe, com o intuito, por parte do governo de vencer a forte influência progressista na campanha eleitoral que por essa ocasião se realizou. O padre Domingos conseguiu a vitória para os regeneradores, graças à sua habilidade e à sua energia. Negou se a aderir à República e não tardou em participar com Paiva Couceiro, seu amigo íntimo, contra o novo regime. Tornou se o agente de ligação entre os chefes monárquicos nos concelhos do dist. de Braga. Em 12.7.1912, quando Paiva Couceiro operou as primeiras incursões no Norte, chefiou o movimento em Cabeceiras de Basto, onde conseguiu revoltar parte da população; proclamou a monarquia, nomeou autoridades e distribuiu pelos seus partidários o armamento que recebera do seu chefe político. Malograda a tentativa de Paiva Couceiro, com a derrota dos monárquicos em Chaves, teve de abandonar o País com os restos das forças revoltosas e internou se em Espanha. Um tribunal constituído em Cabeceiras de Basto, que esteve militarmente ocupada durante dois meses, condenou o padre Domingos a 20 anos de penitenciária. Certos elementos civis assaltaram as casas do padre e do seu irmão, bem como a de um negociante, de apelido Almeida, residente na freg. de S. Nicolau. O padre Domingos Pereira, acompanhou ao Brasil os seus companheiros, que lá fixaram residência, mas regressou a Espanha e aqui continuou as suas actividades conspiratórias. Com o ex rei D. Manuel, exilado em Londres, realizou algumas conferências sobre assuntos da causa monárquica. Quando o governo de Sidónio Pais decretou unìá amnistia, manifestou o seu regresso a Portugal, mas, na verdade, havia um ano que se encontrava oculto no nosso país. Teve uma acção saliente na proclamação da chamada "monarquia do Norte", em Jan. de 1919, sobretudo como agente de ligação entre as forças monárquicas, e assistiu aos combates de Mirandela e de Vila Real, cujos resultados veio depois relatar pessoalmente a Paiva Couceiro, que se encontrava no Porto. Quando, nesta cidade, uma contra revolução restabeleceu a República, foi incumbido de comunicar às forças monárquicas, concentradas na região de Mirandela, a notícia das vitórias republicanas em Angeja e no Porto. Cumpriu a sua missão através de graves dificuldades e novamente se internou em Espanha, onde permaneceu longos anos, pois o tribunal militar do Porto lhe infligira, em julgamento à revelia, outra condenação a 20 anos de prisão maior. Foi excluído, bem como Paiva Couceiro e outros chefes, da amnistia concedida alguns anos mais tarde, mas em 1925 entrou em segredo no País e, desde então, viveu sempre com sua família em Cabeceiras de Basto.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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