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MORAIS, Visconde de

Morais é uma importante freguesia do concelho de Macedo de Cavaleiros. Foi 1.° Visconde de Morais José Júlio Pereira de Morais, fidalgo da Casa Real (28.2.1891), grã cruz da Ordem de Cristo e do Mérito Industrial, Comendador da Ordem da Rosa (do Brasil), presidente do gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro e de beneficiência Portuguesa, da mesma cidade, tendo o também sido da grande comissão Pró Pátria, grande industrial, negociante e notabilíssimo filantropo e, durante muitos anos, o chefe natural e incontestado da colónia portuguesa na capital do Brasil. Era filho de Júlio Pereira de Carvalho e de D. Inácia da Silva, pequenos proprietários rurais em Gouvinhas, conc. de Sabrosa, em Trás os Montes. Nasceu a 15.6.1848 e morreu a 28.8.1931. Enviado na primeira adolescência por seus pais para o Porto, para se dedicar à carreira comercial, por não ter manifestado inclinação para o sacerdócio, carreira que seu pai lhe propusera, partiu dessa cidade, em Janeiro de 1866, com 17 anos incompletos, na barca "Minerva", para o rio de Janeiro, onde tinha já um irmão, João Júlio Nogueira de Carvalho. Depois de trabalhar na capital fluminense, algum tempo, no comércio de louças, passou a ser empregado de Bruno Teles de Meneses e Vasconcelos, homem fidalgo e culto, que a sua dedicação a D. Miguel havia forçado a expatriar se e ir comerciar para o Brasil. Em 1873 entrava para sócio da casa e em 1875, nove anos depois de desembarcar no Rio, rico apenas de esperanças, graças aos seus talentos, faculdades de trabalho e inesgotável energia, passou a dirigir sozinho aquela casa comercial, tendo apenas 27 anos de idade. Diferente de muitos dos homens que nessa época fizeram carreira comercial nas terras brasileiras, o visconde de Morais marcou desde muito novo, a par da sua grande capacidade de negócios, uma viva tendência e gosto para as coisas do espírito e da cultura, cultivando se não só por intensivas leituras mas pela aproximação por ele sempre procurada dos homens de maior cultura, tanto portugueses como brasileiros. dos quais tinha ensejo de se aproximar. O Gabinete Português de Leitura. o Grémio Literário Português e, mais tarde, o Liceu Literário Português, tinham então na cultura dos jovens emigrados portugueses no Brasil um papel preponderante. Em 1890 já o futuro visconde de Morais tinha desenvolvido extraordinariamente a casa cuja direcção assumira e em 1891, deixando à frente dela um sócio, vinha à Europa. Nesse ano fora eleito Presidente do Gabinete, para o qual fizera o generoso donativo de 31 contos. Regressando ao Brasil em 1895, fundou a "Companhia Hipotecária", que geriu até 1900. Lançado nos grandes negócios e sempre com a mesma impecável honradez por timbre, tomou em 1900 conta da "Companhia Cantarcon de Niteroy", que se achava na situação de liquidação forçada. A companhia prosperou sob a sua direcção, levando a efeito grandes melhoramentos públicos no Rio de Janeiro, entre os quais a electrificação dos seus transportes citadinos, a parte central e outros. Os grandes lucros dessa empresa eram aplicados em novos empreendimentos de progresso, distribuindo apenas a justa remuneração ao capital dos accionistas. Fábricas, grandes companhias e todos os empreendimentos de grande vulto, industriais e comerciais, foram objecto da sua constante actividade até aos 80 anos, idade em que conservou intacta a inteligência e actividade. O Banco Português do Brasil foi fundação sua. A sua acção filantrópica atingiu proporções excepcionais. Entre as numerosas fundações suas ou por ele largamente subsidiadas, destacam se a Obra de Protecção aos órfãos da Guerra, o Hospital para Senhoras, anexo à Beneficência Portuguesa, o Sanatório para Tuberculosos, o Hospital "Visconde de Morais", o Retiro da velhice "Jaime Soto Maior" e avultam as suas enormes dádivas para as vítimas do terramoto dos Açores e para a Cruz Vermelha Portuguesa. Só das dádivas que a escrituração das entidades beneficiadas revela, a verba conhecida, ascende a mais de mil contos. As que a sua extraordinária modéstia e horror da publicidade escondia, sabese terem sido enormes. Quando morreu, as maiores manifestações de apreço e respeito por parte dos portugueses e brasileiros prestaram homenagem ao Visconde de Morais. Recusa o título de Conde com que D. Carlos o quis agraciar. Chefe incontestado e respeitado da colónia portuguesa no Brasil, teve o honroso privilégio de usar como tal a grãcruz da Ordem da Torre e Espada, com a qual a colónia foi agraciada. Casou o 1.° Visconde com D. Etelvina Amélia Pinto de Magalhães, nascida no Rio de Janeiro e falecida em Lisboa, filha do comendador Honório Pinto Pereira de Magalhães, e de sua mulher, D. Joaquina Paula. Deste casamento teve quatro filhos e duas filhas, sucedendo lhe no título o primogénito. Foi 2. ° Visconde, em verificação de vida, José Júlio Pereira de Morais, filho primogénito dos 1.°s Viscondes já falecidos director do Banco Português do Brasil o qual foi casado com D. Maria Emiília de Almeida Araújo, filha dos 1.°s condes de Almeida Araújo. E 3.° Visconde (por autorização régio no exílio) o filho único dos precedentes, José Joaquim de Almeida Araújo de Morais, proprietário, casado com sua prima em 1.° grau, D. Teresa de Morais Amado, filha de sua tia paterna, D. Honorina Amélia de Magalhães Morais, e de seu primeiro marido, dr. Ilídio da Silva Amado. Sem geração, ao presente. O título foi concedido, em duas vidas, por D. Carlos I, por dec. De 1889 e carta de 14.2.1903. Armas. escudo partido, na 1 ' pala, em campo de prata, um monte verde e superior ao monte um Sul de ouro entre nuvens; na 2.a pala, em campo azul, um ramo de ouro com folhas de louro. Coroa de visconde. Suportes: dois grifos de ouro. Legenda: "Probitas et labor". Armas de mercê nova concedidas por alvará de 8.6.1891 e carta de 28 do mesmo mês e ano. Registadas no Cartório da Nobreza na Torre do Tombo, no 1. X (moderno) a fl. 54.
G.E.P.B.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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