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MORAIS, Jaime Alberto de Castro

nasceu em Cachim, Macedo de Cavaleiros, em 13.7.1882. Foi médico e serviu no Ultramar, como oficial da Armada. Dele escreve a G.E.PB: Foi um dos construtores do caminho de ferro de Ambaca, em Angola. Formou se em Medicina pela antiga Escola Médico Cirúrgica do Porto, em 1904 e em Setembro do ano seguinte alistou se como guarda marinha, médico naval. Foi promovido a 2.° Tenente em 1909, a 1.° Tenente em 1910 e a Capitão Tenente em 1917. Serviu em diversos navios de guerra, como os antigos cruzador "D. Carlos" (depois "Almirante Reis"), canhoneira "Dio", transporte "Salvador Correia" e vapor "Liberal". De 1906 a 1910 esteve destacado na divisão naval do Atlântico Sul, e neste intervalo, em 1908, na estação naval da Guiné, durante a campanha contra os Biafadas e os Papéis de Bissau, durante o Governo Oliveira Muzanty. Foi um dos Oficiais da Marinha que se revoltaram contra a monarquia, em 5 de Outubro, desempenhando a seguir as funções de Secretário do Ministro da Marinha e Colónias do Governo Provisório, Capitão de mar e guerra Amaro de Azevedo Gomes. Em Janeiro de 1911 seguiu para Angola como Secretário Geral do Governo da Província, posto que desempenhou até Fevereiro do ano seguinte, data em que regressou à Metrópole. Governador do distrito do Congo, em Janeiro de 1914, numa situação difícil, pois todo o território da sua jurisdição estava revoltado, assumiu, dias depois da sua chegada àcolónia, o comando de uma coluna, que tinha como missão dominar o movimento insurreccional, provocado pela atitude de certas missões estrangeiras, na área de S. Salvador do Congo. Noqui e Bembe. As operações militares, levadas a cabo, sob as suas ordens, pelas 2 â, 3 á, 18 ' e 20.a companhias indígenas de infantaria, terminaram por um êxito total em Outubro daquele ano, data em que foi feito prisioneiro o chefe indígena Buta, que chefiava o movimento. Sem descanso, lançou ombros à ocupação total do distrito, como ainda de cerca de 40.000 km2 que pertenciam administrativamente, aos distritos de Cuanza Norte e de Malanje. Em Setembro de 1917 foi nomeado Governador Geral, interino, de Angola, sucedendo ao Governador Geral Massano de Amorim. A situação da Província era extremamente grave, sobretudo por causa de uma extensa rebelião em todo o território do distrito de Cuanza Sul. Em breve conseguiu, não somente dominar esta revolta, como ainda procedeu à ocupação de vastos territórios, sobretudo em Malanje e CuanzaNorte. Adversário do Governo Sidónio Pais, logo pediu a sua demissão, que lhe foi negada, conseguindo, porém, ser substituído em 15.9.1918 pelo Governador Filomeno da Câmara, não sem antes ter publicado uma portaria fazendo cessar o estado de guerra em toda a colónia, de facto inteiramente pacificada, com excepção da região dos Dembos, para a qual, de resto, já tinha uma coluna preparada. Pela sua brilhante acção colonial em Angola, pode ser considerado como um continuador entusiasta da política seguida por Paiva Couceiro. Logo depois do seu regresso a Portugal, participou, com Álvaro de Castro, Cunha Leal, António Granjo e Júlio Martins, na direcção do movimento de 10.1.1919, mais conhecido pelo "Movimento de Santarém". Proclamada a monarquia no Norte; juntou se em Chaves às forças que defendiam a República sob o comando do General Ribeiro de Carvalho. Apaziguado o movimento, foi nomeado Governador Geral da índia Portuguesa, seguindo para esta colónia em Outubro de 1919, conservando se nesse cargo até Abril de 1925, data em que regressou a Portugal. O seu Governo na índia ficou marcado por uma administração exemplar, que mereceu unânimes aplausos em todos os meios coloniais portugueses. A sua obra de colonização e normalização, a estabilização, sobretudo, do equilíbrio orçamental, que levou a cabo, e a sua política de fomento foram muito beneficiosas para a colónia, tendo o dr. Jaime de Morais desfrutado de um grande prestígio nos meios governamentais da índia Britânica. Regressando a Portugal, fez ainda parte de uma comissão nomeada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros incumbida de dar parecer sobre o problema da mão de obra nas colónias, comissão de que fizeram parte Freire de Andrade, Gonçalves Guimarães e Ernesto de Vilhena. Pouco mais tarde, presidiu a outra comissão, no Ministério das Colónias, encarregada pela delegação portuguesa na Sociedade das Nações de coligir o esforço da República nas nossas possessões ultramarinas. Triunfante o movimento de 28.5.1926, foi ainda convidado pelo Ministro das Colónias do novo Governo, João Belo, para ocupar sucessivamente os elevados cargos do Governador do Banco de Angola, Presidente do seu Conselho Fiscal, Alto Comissário de Moçambique, que não aceitou, terminando por ser nomeado, em Outubro de 1926, Membro do Conselho Superior das Colónias. Em 3.2.1927 dirigiu o movimento que rebentou no Norte do País, com ramificações no Sul, movimento que foi vencido pelas forças do Governo. Julgado à revelia, foi condenado e abatido aos quadros da Armada. Refugiou se em Espanha, regressando, pouco depois, clandestinamente, a Portugal, sendo preso em 1.5.1928 e deportado, três dias depois, para S. Tomé. Fugindo da deportação em Outubro desse ano, viveu desde então emigrado no estrangeiro, especialmente em Espanha, França e Bélgica. Quando do conflito europeu, declarado em Setembro de 1939, em companhia do seu antigo camarada Agatão Lança, entregou ao Ministro de Portugal em Paris uma declaração, assinada, em nome de todos os republicanos portugueses emigrados em França, pelo antigo Presidente da República, dr. Bernardino Machado, na qual estes, em face da situação de guerra, faziam pública afirmação dos seus sentimentos de solidariedade com todos os portugueses, sem distinção de partidos. Quando da ocupação da França pelos Alemães, voltou a Portugal, de onde foi mandado sair pelas autoridades, partindo para o Brasil, onde se fixou, dedicando se a tarefas comerciais. Tem as seguintes condecorações: Comenda da Ordem de Avis e a de Santiago da Espada, Medalha de Prata de Comportamento Militar e da Campanha da Guiné (1908), medalha de ouro de Valor Militar com palma por serviço em campanha e a medalha de ouro da campanha do Congo (1914 1917), comenda da Torre e Espada com palma e a medalha de ouro da campanha de Angola (1915 1918), grande oficial da Ordem de Cristo e a Comenda da Ordem da Coroa da Bélgica pelos seus serviços prestados ao Congo Belga.
G.E.P.B.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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