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MIRANDA, Alvito Buela Pereira de

nasceu na Galiza, em 1791 e faleceu em Vilarelho da Raia, concelho de Chaves, em Outubro de 1862. Dele escreveu a GEPB: Emigrou para Portugal, inculcando se sacerdote egresso da Ordem Beneditina, qualidade que os seus adversários pretendiam contestar lhe, alegando que os títulos ou documentos por ele exibidos eram de um eclesiástico seu compatriota, e que Alvito Buela se apossara deles por meios ilícitos e até criminosos. Claro está que nunca se provou tal acusação, que só o verdadeiro detentor dos títulos poderia fazer, e, assim Alvito Buela, depois de acrescentar ao nome os apelidos de Pereira de Miranda, conseguiu destacar se nas lutas civis e dinásticas que surgiram em Portugal desde 1820 a 1834. Filiando se no partido absolutista, combateu ardorosamente nas suas fileiras, acabando por emigrar para Espanha com os corpos militares que, em 1826, na Província de Trás os Montes, proclamaram os direitos de D. Miguel ao trono português. Em 1830 teve a recompensa desta dedicação, pois lhe foi conferida pelo Governo a paróquia de Santa Marinha, em Lisboa. Conquanto o autor das Observações Bibliográficas da Instrução Pública declare que foi a paróquia de Santo André (p. 28, vol. De 1861), Inocêncio rectifica (Dicionário Bibliográfico, VIII, p. 54), salientando que foi na igreja de Santa Marinha, "cujo prior colado João Clímaco Xavier de Melo jazia, por esse tempo, nas masmorras de S. Julião da Barra como suspeito de afeição ao partido liberal". O padre Alvito Buela, após alguns meses de permanência neste cargo, foi promovido na Abadia de S. Miguel de Rebordosa (Paredes), manifestando se então um panfletário da craveira de José Agostinho de Macedo e Frei Fortunato de S. Boaventura. No seu semanário Defesa de Portugal, publicado na Imprensa Régia (1831 33), Alvito Buela defendeu com tal ferocidade os interesses do seu partido, que os seus escritos eram considerados "ódio amassado com sangue e fel". Publicou também, em Coimbra, o periódico Verdadeiro Eco de Portugal, de que apenas saíram 18 números, e, ao que parece, fez parte da redacção do Correio do Porto, desde 1833 a 1834. Publicou ainda O Procurador dos Povos, cujos 19 números duraram desde 12.3 a 13.7.1833. Na Crónica Constitucional do Porto (1833) foram insertas oito cartas dirigidas ao Sr. Rev. P. Alvito Buela Pereira de Miranda, e assinadas por alguém que se acobertava com o pseudónimo de Philo Justitia. Nessas cartas, publicadas depois em separata, formando um volume de cerca de 200 páginas, pretende se demonstrar que "numa grande parte dos mais zelosos defensores do trono e do altar, naquela época, haviam sido revolucionários e exaltados demagogos no período constitucional de 1820". No entanto, após ter preconizado a morte e o extermínio dos constitucionais, Alvito Buela, ao ver a causa que tão afincadamente defendera entrar nos últimos paroxismos, apressou se a reconhecer e a proclamar os direitos de D. Maria II e até a legitimidade da Carta. Isto lhe valeu ser conservado na posse da abadia, da qual foi depois transferido para a de Santiago de Vilarelho da Raia, em Trás os Montes, onde faleceu. Nos últimos tempos da sua vida colaborava no jornal político O Povo Legitimista, de Lisboa, com largas correspondências em que patenteava, guardadas as circunstâncias e a diversidade dos tempos, o mesmo espírito truculento que ditara, trinta anos antes, as páginas sanguinárias da Defesa de Portugal.
G.E.P.B.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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