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MEIRELES, Abílio

nasceu em Freixo de Espada à Cinta, em Dezembro de 1860, e faleceu em Lisboa em Julho de 1923. A família, dedicando se à vida eclesiástica, mandou o educar em Cernache de Bonjardim, onde foi condiscípulo do que veio a ser bondosíssimo missionário e, depois, bispo do Porto, D. António Barroso, com quem manteve sempre, ainda, através da sua agitada vida política e revolucionária, as mais íntimas relações. Era 1.° sargento do Regimento de Caçadores 9, por ocasião da revolução de 31.1.1891, na qual tomou parte importante, conquistando, pela sua nobre e heróica atitude de então, a auréola de prestígio que conservou até à morte. Na Rua de Santo António bateu se até ao último cartucho contra as forças fiéis da Guarda Municipal. Acusado, como investigador ou cabeça, segundo a nota de culpa do promotor de justiça militar, foi submetido a julgamento no célebre tribunal de Leixões. O sargento Abdio, como ficou sendo conhecido, fez, perante os seus julgadores, um depoimento que, sem ser arrogante, causou sensação, pela coragem moral que testemunhava. Em resumo, afirmou que era republicano e saíra do quartel com os seus camaradas, cabos e soldados, para implementar a República, por considerar esse regime a única forma de governo capaz de salvar o país. Fora recebido a tiro pela Guarda Municipal; defendeu se a tiro também, enquanto pôde, porque, sendo agredido a tiro, não podia defender se à bofetada. Pediu, em seguida, a absolvição dos cabos, soldados e músicos que tinham obedecido às suas ordens e, portanto, não eram culpados. Condenado a 9 anos de degredo, seguiu para Luanda, a fim de os cumprir, em Maio de 1891, trabalhando no Dondo durante dois anos. Em 1893 foi indultado, regressando ao Porto em Julho desse ano, e nessa cidade continuou a viver e trabalhar honestamente. Proclamada a República, foi reintegrado com o posto de tenente e promovido, mais tarde, a capitão para a arma de infantaria, por deliberação da Assembleia Nacional Constituinte, reformando se algum tempo depois e acabando os seus dias sob os carinhos da família, em Lisboa. Guerra Junqueiro, o seu conterrâneo, dedicou lhe uma das suas melhores poesias, intitulada Hino de Algum Dia. Bruno falou dele no seu eloquente manifesto dos emigrados e Mayer Garção dedicou lhe um dos seus mais belos e sentidos artigos do jornal A Manhã. Algum tempo depois do seu falecimento, a Câmara Municipal do Porto deliberou trasladar o féretro do capitão Abílio de Meireles, depositado no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, para o Porto, a fim de o inumar junto ao monumento aos Vencidos de 31 de Janeiro, existente no cemitério do Prado do Repouso. Essa deliberação efectivou se de modo a coincidir o acto com o aniversário da Revolução em que o herói tomara parte activa. Assim, o Porto, secundando a homenagem pública já prestada em Lisboa à memória de Abílio Meireles, rendeu preito, numa cerimónia imponente e de grande devoção cívica, àquele que carinhosamente denominou e continua a denominar "Sargento Abílio".
G.E.P.B.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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