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GOUVEIA, Francisco Manuel

Francisco Gouveia nasceu no Porto em 2 de Fevereiro de 1953. Contudo, as suas origens paternas repousam na pequena aldeia alto-duriense de Pinheiros, no concelho de Tabuaço, onde passou grande parte da sua infância e onde sofreu a influência de seu avô, António, homem de espírito recto e com uma especial sabedoria captada nos anos vividos em Àfrica e, depois cimentada na rude ruralidade portuguesa dos primórdios do século XX. Particularmente atento ao mundo que o rodeava, desde muito cedo se aperceberam das suas potencialidades artísticas, nomeadamente na literatura e na música. Com 16 anos, Francisco Gouveia já dava aulas de guitarra clássica, instrumento que aprendeu quase autodidacticamente, e foi é desse período que datam, também, os seus primeiros concertos. Na década de setenta tomou conta da Direcção artística da Escola de Música da Ala de Nun’Álvares, em Gondomar, leccionando dezenas de alunos e criando uma célebre orquestra de cordas que, naquela altura, obteve alguma notoriedade. Data também, dessa altura, a sua paixão pela Guitarra Portuguesa, tendo a sua primeira guitarra resultado de uma visita que um dia fez à Oficina do artesão Bracarense, Domingos Martins Machado, que lha construiu, iniciando-se assim na execução daquele instrumento. Dois anos depois, gravava a solo o seu primeiro álbum de originais para guitarra portuguesa: “Uma Guitarra Sobre o Rio”, onde se denota a influência de Mestre Carlos Paredes, de quem assimilou o estilo e a técnica. Nessa altura, era usual vê-lo tocar em récitas, tertúlias, espectáculos culturais, na cidade do Porto e onde lhe solicitavam que se apresentasse. Entretanto, frequentava a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com razoável aproveitamento, tendo convivido e tocado com alguns companheiros músicos que por lá estudavam, também as engenharias: António Moura, Sérgio Castro, Jorge Piedade, e, nas tertúlias desses tempo, com Graça Moura, António Pinho Vargas, etc. É durante este período que aparecem as suas primeiras obras escritas, a maioria para teatro, na sequência de um curso que frequentou no Teatro Experimental do Porto, tendo sido aluno de Santos Durães, mestre encenador. Poesia e teatro foram o seu início nas letras. A partir destes escritos, é convidado a participar em vários jornais académicos da cidade, sendo, inclusive, fundador de alguns, de pouca duração, quer por motivos da perseguição política, quer por motivos de índole financeira. Francisco Gouveia balançava assim entre a música, a literatura, o jornalismo e o seu curso de Engenharia Civil. Na prática, venceu este último, contudo, desde então, não abandonou nenhuma das outras facetas. Em finais de setenta, ganha um prémio literário na modalidade de conto, num concurso elaborado pelo Jornal de Notícias. A partir dali, não mais parou e edita A Lenda do Douro, em 1997, seguindo-se o livro de contos, Há Névoa no Rio, de 1978. No ano seguinte brinda-nos com uma saga fantástica, como até ali nunca havia sido escrita no Douro: As Escadas do Céu (1979). Esta obra pauta o regresso de Francisco Gouveia a casa, isto é, ao seu Douro. As suas intervenções nos jornais regionais locais, nomeadamente no Notícias do Douro, plenas de oportunidade, satíricas, acutilantes, sem medo de fazer estremecer o Poder instituído, abala e refresca o jornalismo duriense. Durante os anos seguintes vais ser ele que guiará o remo dos assuntos importantes da região. Tremendamente crítico e particularmente subtil no arranjo de soluções para os problemas que descobria, aliando com a sua coragem a oportunidade de denunciar interesses obscuros e apadrinhados, granjeiam-lhe o respeito dos seus colegas e, também, dos seus leitores. Francisco Gouveia marca, indelevelmente, a história do jornalismo duriense. Mas não se fica por aqui e, todos os anos edita uma obra, como uma obsessão, uma promessa, uma obrigação que não consegue travar. Segue-se o Livro dos Poemas Pobres, de 2000, e, nesse mesmo ano, edita um romance cheio de força: Pietà, que chega a provocar algumas reacções de surpresa. A violência da obra não é para menos. Dois anos depois, nasce outro livro de contos Meiga, como a voz da montanha. Também intitulado contos serranos I, o que indicia novos livros sobre esta temática. È, no entanto, em 2003, que aEditorial Bizâncio se interessa por um outro romance seu, inédito, de seu nome O Jardim Secreto, tendo vindo a publicá-lo, com assinalável êxito, de tal forma que abre as portas ao escritor, sendo certo que algumas das suas anteriores obras deverão ser reeditadas de novo, para além de obras novas que.está a escrever. Mais um livro de poesia: Trás-os-Montes, Trá-los cá,… é editado em 2004, com a promessa de ser o primeiro de uma série de outros que abordam a temática duriense, nomeadamente o segundo volume de contos serranos e um livro de ensaios sobre o Douro. Incansável em tudo o que faz, Francisco Gouveia mantém uma actividade notável a vários níveis: quer no jornalísticos, onde colabora periodicamente e sem falhar, no Noticias do Douro, Notícias da Beira Douro, Correio de Tabuaço, Tabuaço Informação e esporadicamente, no Noticias de Vila Real e a Voz de Trás os Montes. É também colaborador da revista da Unearta (União dos escritores e artistas de Trás-os-Montes e Alto Douro), sendo seu associado, a que soma a Associação Portuguesa de Escritores e Sociedade Portuguesa de Autores e a Traslad (Cooperativa de criadores transmontanos-durienses).
Recentemente regressou a uma velha paixão: os cordofones populares portugueses, de que é considerado como um dos seus maiores executantes, provado em actuações e concertos que, no último ano, deu nas salas de espectáculo mais exigentes. Sempre acompanhado pelo seu amigo, Dr. José Neves, ele também professor de música e entusiasta da música popular, tem elevado a música instrumental popular portuguesa a um patamar nunca antes alcançado, fruto da sua persistência e estudo, e da sabedoria artesã de mestre Domingos Martins Machado (de que já aqui falamos) com quem tem estudado a evolução dos nossos instrumentos folclóricos.
Francisco Gouveia, por tudo isto, é alguém que não deixa os assuntos pela rama, e antes prefere penetrar nos segredos das coisas. Homem de raros e multifacetados talentos, em todos sabe ser criativo, diferente e competente.
O Douro e a cultura portuguesa devem-lhe algo, pelo menos o reconhecimento de alguém que, durante os mais de 50 anos que leva vividos, teve sempre um grande respeito pelas artes da sua Pátria, artes a que dedica o seu melhor na tentativa de que permaneçam como símbolos inalienáveis culturais de um Povo. Como ele diz: “uma Nação pode existir sem uma bandeira, sem um exército, sem chefes, mesmo sem ter um território. Mas não sobrevive se não tiver uma cultura, que é, no fundo, a sua alma. E a cultura popular é, seguramente, a mãe dos povos.”

Jorge Ferreira


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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