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Transmontanos e Durienses +

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DIAS, Domingos Mendes

Nasceu em Medeiros, freguesia de S. Vicente da Chã, concelho de Montalegre. Não se conhecem datas precisas de nascimento ou morte. Mas pressupõe se que vivia em Lisboa, por volta de 1755 e morreu cerca de 1804, também em Lisboa. Foi um dos Transmontanos mais castiços, porque foi um paupérrimo aguadeiro e marçano, chegando a ser, uma das maiores fortunas em Lisboa, na sua época. Quem fala dele é Mário Costa, na revista Olisipo, ano XXl, n.° 81 que saiu em separata e que foi o texto de uma conferência proferida na sede do Grupo "Amigos de Lisboa", em 7 de Novembro de 1957 e publicada no Boletim "Olisipo", n.° 82, em Abril de 1958. Dá a imprensão de que há aqui uma incoerência: no subtítulo do trabalho fala se no n.° 82 e no final, referese o n.° 81. Acautelada essa distorção, importa seguir o que escreveu Mário Costa sobre este Transmontano de Barroso que "fugiu de casa de seus pais, rumo a Lisboa, onde começou a trabalhar como aguadeiro. Depois foi marçano de mercearia e, a seguir ao terramoto, já se classificava de negociante da praça de Lisboa. "O biógrafo Mário Costa invoca dois testemunhos para justificar o sucesso deste Barrosão. Um do padre Pedro Augusto Ferreira (mais conhecido pelo Abade de Miragaia e que foi o continuador de Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno), diz que DomingoE Mendes Dias, amealhou a sua fortuna em Lisboa, a partir do seu trabalho de negociante na praça de Lisboa. Tinop diz que esse Transmontano foi ao Brasil buscar a fortuna que aplicaria na construção do Palácio do Manteigueiro. O mais certo é que como explica o Abade de Miragaia, terá o barrosão de Medeiros, feito pela vida, como faria qualquer outro, desde que o ensejo lhe proporcionasse meios de vida melhor. Ficou conhecido pelo manteigueiro, por se dedicar ao comércio de manteigas, por grosso. Provavelmente mandava vir as célebres manteigas de Barroso e comercializava as em Lisboa. Terá enriquecido dessa forma? O Abade de Miragaia aventa a hipótese de advir essa fortuna que veio a ter, pelo recurso àquilo que podia recolher, de entre os escombros do terramoto de 1755. O que parece certo é que foi ele um dos maiores capitalistas do seu tempo, deixando uma fortuna, na altura avaliada em seis milhões e meio de cruzados, correspondendo a dois mil e seiscentos contos de réis. Apesar dessa riqueza nunca deixou de apresentar se como um pobre de todos os dias. Em vez de casar e constituir família, preferiu viver com uma preta, muito mais velha do que ele que lhe preparava a alimentação. Comia, pelos vistos, em sítio reservado, escondendo a alimentação sempre que alguém o procurava às horas da refeição. Chegou a fidalgo da Casa Real. E querendo mostrar se de origem fidalga, obteve de António de Sousa Pereira Coutinho, morgado de Vilar de Perdizes a sua aceitação no tratamento de primo, prometendo, em troca, legar lhe o palácio do "Manteigueiro" e toda a sua fortuna. E se assim o prometeu, melhor o cumpriu. Após a morte que lhe foi provocada por assaltantes que o apunhalaram, o palácio da Rua da Horta Seca passou a ser propriedade do morgado de Vilar de Perdizes. Curiosamente esse palácio que chegou a ser o mais importante da época, na cidade de Lisboa e que pelos anos fora, foi palco das mais destacadas recepções, acabou por cair em sorte a um filho do Morgado de Vilar de Perdizes, de nome Alexandre que, sem qualquer esforço, entrou na alta roda social da época, passando por ser um dos mais distintos cidadãos do tempo. O palácio do Manteigueiro viria a ser residência oficial das mais destacadas personalidades políticas e intelectuais, pelos tempos fora. Inclusivamente foi residência de Junot, em 1807. Mas teve outros inquilinos: O Conde de Caparica, o Marquês de Lille, o Negociante inglês João Fletcher, o Conde de Arriaga e até veio a instalar se aí o primeiro Presidente da República. Ainda hoje existe esse belo imóvel que o Barrosão de Medeiros comprou e mandou construir e decorar à sua maneira. Pertence à freguesia da Encarnação, situado na Rua da Horta Seca, com os números de policia: 15.17.19, à esquina da Rua da Emenda (que foi Travessa do Mel) e possui outro meio de comunicação na Rua das Chagas, onde um portão de ferro, com o n.° 18, abre para um extenso corredor que liga com o jardim, nas traseiras do edifício. A entrada principal faz se hoje pelo n.° 15 da Rua da Horta Seca. A origem deste palácio data de 1787 e a sua construção deve se ao arquitecto Manuel Caetano de Sousa que a executou a mando do Transmontano Domingos Mendes Dias.


In i volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, 656 páginas, Capa dura.
Editora Cidade Berço, Apartado 108 4801-910 Guimarães - Tel/Fax: 253 412 319, e-mail: ecb@mail.pt
Preço: 30€

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